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A questão democrática

por Marcos Teotónio Pereira, em 19.04.12

A verdadeira questão democrática que está a ser posta à Europa é posta pelos "mercados". Como refere "Charlemagne" no Economist de 14 de Abril, os mercados (i.e. quem empresta dinheiro aos estados) querem saber como é que a Europa é.

Se é uma organização internacional tipo Nações Unidas e então a soberania das nações é o conceito predominante e o Euro uma enorme confusão e o presidente da Comissão Europeia é um mero Secretário Geral ao serviço dos vários membros da UE ou se é uma federação mais parecida com uns EUA e o Presidente deve ser eleito directamente por todos. O preço do dinheiro depende da resposta a esta questão e os mercado querem resposta para isso e Já.

 

A Europa não está preparada para responder. Resultado? Não pedir dinheiro emprestado!

 

Já agora uma sugestão para a música da semana Paradise dos Meat Loaf e o seu "I wanna know right now"

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O estimulo às boas obras

por Marcos Teotónio Pereira, em 05.04.12

Porque vem a propósito não resisto a copiar aqui parte da mensagem do Papa para esta Quaresma. Claro que o que vale mesmo a pena é lêr tudo porque este Papa escreve muito bem

 

 

A tradição da Igreja enumera entre as obras espirituais de misericórdia a de “corrigir os que erram”. É importante recuperar esta dimensão do amor cristão. Não devemos ficar calados diante do mal. Penso aqui na atitude daqueles cristãos que preferem, por respeito humano ou mera comodidade, adequar-se à mentalidade comum em vez de alertar os próprios irmãos contra modos de pensar e agir que contradizem a verdade e não seguem o caminho do bem. Entretanto, a advertência cristã nunca há-de ser animada por espírito de condenação ou de censura; é sempre movida pelo amor e pela misericórdia, e brota duma verdadeira solicitude pelo bem do irmão. Diz o apóstolo Paulo: “Se porventura um homem for surpreendido nalguma falta, vós, que sois espirituais, corrigi essa pessoa com espírito de mansidão, e tu olha para ti próprio, não estejas também tu a ser tentado” (Gal 6, 1). Neste nosso mundo impregnado de individualismo, é necessário redescobrir a importância da correcção fraterna, para caminharmos juntos em direcção à santidade. É que “sete vezes cai o justo” (Prov 24, 16) – diz a Escritura –, e todos nós somos frágeis e imperfeitos (cf. 1Jo 1, 8). Por isso, é um grande serviço ajudar, e deixar-se ajudar, a ler com verdade dentro de si mesmo, para melhorar a própria vida e seguir mais rectamente o caminho do Senhor. Há sempre necessidade de um olhar que ama e corrige, que conhece e reconhece, que discerne e perdoa (cf. Lc 22,61), como fez, e faz, Deus com cada um de nós.

 


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O CDS e a matriz ideológica

por Marcos Teotónio Pereira, em 03.04.12

 

          O meu CDS é um partido em que alguns são Conservadores ( acreditam que cada cultura tem as suas soluções óptimas), alguns são Liberais ( querem um estado regulador mas não intervencionista) e outros são Democratas Cristão ( querem um conjunto de politicas em que a doutrina social da igreja é o que orienta a sociedade). 

 

Alguns de nós são as três coisas já que elas não se excluem mas a maioria é só uma ou duas delas. Alguns de nós são mais liberais durante uma certa altura da vida e mais conservadores noutra altura... 

Para outros o CDS é principalmente Democrata Cristão. Quem não é Democrata Cristão não tem lugar... o que não é nada Cristão.

 

 

 

 

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Tempos conturbados

por Marcos Teotónio Pereira, em 02.03.12

Os bancos centrais estão a começar a investir as reservas em moeda estrangeira que possuem, em acções e outros activos de outros países. Imprimem moeda para manter as suas divisas baixas e acumulam quantidades imensas de dólares e Euros. 

Essa é decerto uma das razões para a valorização das bolsas apesar dos maus resultados económicos e do elevado nível  de endividamento.

 

Tempos conturbados estes..

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Legislação Laboral

por Marcos Teotónio Pereira, em 30.12.11

Qual é a justa remuneração do trabalho:

 

é aquela que é proporcional ao esforço?

é aquela que é proporcional ao valor do que se faz com o trabalho?

é aquela que permite viver condignamente?

é aquela que é proporcional à qualidade do trabalho? 

é aquela que o empregador pode pagar?

é aquela que o trabalhador está disposto a aceitar?

 

A resposta a esta pergunta é que define grande parte das políticas económicas de um País (e não vale responder "é uma mistura de todas").

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Um pequeno problema

por Marcos Teotónio Pereira, em 20.12.11

Quem é aqui o alcoólico? 

 

É verdade que o crescimento do Estado nas economias desenvolvidas atingiu finalmente o ponto de ruptura. É preciso agora parar e reverter este processo o que é muito difícil. Faz agora um ano que o Economist publicou um artigo especial sobre o Leviathan.  O processo é tão difícil que se compara com a desintoxicação de um toxicodependente.

 

Para se iniciar o processo o doente tem que estar consciente da sua dependência ou então estar num estado terminal. A Grécia parece que perdeu a esperança.  Nós por cá percebemos que "o que tem que ser tem muita força" e estamos a mudar de vida. Mudando as rotinas e o modo como se vive. Mostrando aos nossos filhos que conseguimos dar a volta.

 

Veremos se outros países também conseguem.

 

 

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Quem não deve não teme

por Marcos Teotónio Pereira, em 19.11.11

O pagamento de impostos é uma inevitabilidade desde que o Homem vive em sociedade.

Já a quantidade de impostos que se paga depende do acordo que a sociedade faz com todos os seus membros. Numa democracia o nível de impostos é tendencialmente superior ao de uma ditadura, se essa democracia é socialista os impostos são superiores áqueles que existem numa sociedade menos comunitária, mais individualista  (no sentido de Hofstede), num pais ocupado pela guerra os impostos são geralmente maiores que num pais livre, etc.

e depois há o Portugal de 2011. Neste Portugal os impostos têm mesmo que subir porque temos muito que pagar.

Mas não se pode continuara admitir a fuga ao fisco de uma classe média alta. Esta não deve mesmo ser tolerada. 

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e agora, sem gastar dinheiro...

por Marcos Teotónio Pereira, em 19.09.11

Dizem os nossos amigos Keynesianos que  a "Redução da TSU tem impacto nulo nas exportações e aumenta lucro dos patrões".

São assim frontalmente e sem hesitações contra a diminuição da TSU. Não deixo de notar o conjunto de contradições que este assunto levanta junto dos nossos semi-economistas de bancada.

 Por um lado afirmam todos que as medidas de austeridade estão a matar a economia. É a tal lógica da batata de que quanto mais o estado gasta mais riqueza é gerada e mais receitas o estado consegue e portanto o caminho é mais, mais, MAIS.... Lógica essa que nos trouxe até aqui. 

Por outro lado estão contra qualquer medida para aumentar a competitividade que não passe por gastar mais.

 

Sendo estas medidas de austeridade absolutamente necessárias temos que encontrar modos de minimizar o seu impacto numa economia que se encontra muito dependente do consumo interno (responsável por 70% do PIB). O estudo que o governo fez é um excelente ponto de partida.

 

Habitualmente a solução para recuperar um país que está na banca rota passa pela desvalorização da moeda empobrecendo automaticamente a classe média e equilibrando a balança comercial. Ninguém tem a certeza de como conseguir isto de outro modo. Porque nunca foi necessário fazer de outra maneira cabe-nos a nós mostrar outros caminhos. 

 

A diminuição drástica da  TSU  é um modo de diminuir os custos do trabalho e portanto de tornar a nossa economia mais competitiva sem ter que diminuir salários ou despedir em massa. Mas é tb uma diminuição das receitas do estado e nesta altura isso é anátema. Dizem ainda os nossos semi-economistas junto com os economistas de bancada que se diminuirmos a TSU temos que aumentar o IVA o que vai provocar diminuição de consumo, falência de empresas, diminuição de receita e .. novo aumento de impostos.

 

Assim, para estes iluminados a única solução é simples. Tem que se ir buscar dinheiro a algum lado porque a única solução é o dinheiro. Sempre o dinheiro. Mais dinheiro. Nunca menos. Sempre mais. É verdade que não temos mas a Europa rica tem. Se eles fossem verdadeiros socialistas tb arruinavam o país deles..

 

Concordo que o problema é bicudo. Algumas empresas precisam já de liquidez e uma diminuição da TSU viria em boa altura, alguns patrões iriam imediatamente comprar um novo mercedes o que seria desastroso, algumas empresas poderiam vir a ganhar aquele cliente em França que lhes daria um balão de oxigénio para os próximos anos, mas talvez só daqui a um ano, a perda de receitas do estado dificilmente seria compensada por um aumento do IRC. O aumento do IVA poderia levar a uma diminuição drástica do consumo o que para uma economia que depende em 70% do consumo interno poderia levar a um enorme aumento de insolvências..

 

O FMI insiste nisto e portanto vamos ter que o fazer. Mas tem que ser à nossa maneira.

 

Por exemplo: Um pacote fiscal para 5 anos.

Descida muito significativa da TSU, ok. Por pedido voluntário da empresa, num processo faseado no tempo (descidas na TSU programadas de 1% por mês durante um ano até um limite de 12%) e no espaço (Uma NUT de cada vez de 3 em 3 meses). Condicionada a  um aumento do IRC para as empresas que se candidatem para 35% e alterações contabiliticas permitindo a amortização de equipamento produtivo num único ano, junto com um acompanhamento das contas das empresas por parte do fisco. 
Obriga-se a uma neutralidade das contas do estado por alargamento da base do IRS, aumentos das taxas dos escalões superiores e agravamento do imposto sobre os combustiveis mas com criação do gasóleo rodoviário.  

O acompanhamento poderia ser feito usando a base regional do QREN, etc..

 

Temos que fazer algo deste género e vai ter que ser bem feito. Bem acompanhado. As verdadeiras soluções nunca passam por gastar mais dinheiro. Vamos finalmente resolver o problema estrutural da nossa economia e sem gastar dinheiro? Com mais organização, mais trabalho e mudanças comportamentais.  É agora que endireitamos a nossa economia?

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Porque é que o brasil paga mais pela dívida pública, apesar de esta ser bem menor que a portuguesa, e isso não é um problema?

por Marcos Teotónio Pereira, em 10.09.11

Apesar da situação invejável do Brasil em termos de dívida pública o peso de juros sobre dívida brasileira (em proporção do PIB) é o maior entre os países do G20.

De facto e segundo esse artigo da BBC de Julho de 2011

"Segundo os dados da EIU, a dívida total brasileira correspondia a 59% do PIB do país ao final do ano passado, proporção bastante inferior a países como Japão (199%), Grécia (143%), Itália (119%), Irlanda (95,7%) e Portugal (93%)."

 

porque é que o Brasil paga juros tão elevados? A razão só pode ser a memória do comportamento irresponsável do Brasil durante os anos 80. Porque estas situações têm de facto consequências graves durante muitos anos. Os brasileiros aprenderam uma dura lição e não acredito que voltem aos erros do passado. Não vão ter um comportamento irresponsável com o mundial de futebol ou os jogos olímpicos. De certeza que não nos vão imitar o Euro 2004.

 

Diz Lula da Silva depois de ter visitado o Estádio da Luz:

 

....É preciso saber o que fazer depois da copa do Mundo com um estádio desta magnitude. Eu volto muito mais consciente e responsável. Eu aprendi aqui, em pouco tempo, que não existe espaço para amadores na gestão de um património destes...

 

O nosso comportamento irresponsável serve de lição para outros mas pelo que ouço  neste congresso do PS ainda há muitos que não aprenderam nada.

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Para Soares este mundo é confuso. Não põe o "chapéu da energia"

por Marcos Teotónio Pereira, em 03.09.11

O Nate Hagens é um antigo editor de um blog muito conceituado sobre energia "The oil drum". Nesta entrevista "Peak oil and the longage of expectations" Nate fala sobre assuntos que são caros à nossa esquerda.Vale mesmo a pena ler (ou ouvir).  

 

Nate põe o "chapéu da energia" e o mundo fica mais simples. Fala do efeito no crescimento económico mundial de uma produção de petróleo que não consegue corresponder à procura. Fala  do custo de extração de petróleo e de porque é que antes de não haver mais já não compensa extraí-lo. Fala de uma teoria económica que é obviamente incompleta. De uma visão monetária desfocada da realidade.

 

Sem demonizar ninguém e não procurando culpados Nate mostra que os activos estão sobreavaliados porque existem constrangimentos físicos muito reais ao cescimento económico. A economia do dólar está gravemente afectada e apercebemo-nos que o Euro tem uma excelente oportunidade para ser catapultado para uma posição cimeira na politica monetária mundial. 

 

Não acredito em teorias de conspiração (acho mesmo que este mundo é como um barco que navega sem ninguém ao leme) mas penso que alguns europeus já perceberam que uma maior integração política da zona Euro é essencial para que o Euro aproveite esta oportunidade. A perca de soberania de todos os envolvidos vai ter que ser engolida pelo eleitorado dos vários países e isso não é fácil. Pelo meio temos muita gente a aplicar a velha máxima de que "é nestas alturas que a roda da fortuna gira".

 

Não esquecer que Nate é americano e fala para os americanos. Tem uma visão do mundo que não é a europeia e não é de certeza a de Soares. Mas deve ser ouvido com muita atenção.

 

 

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"Aqui importa-se tudo. Leis, ideias, filosofias, teorias, assuntos, estéticas, ciências, estilo, modas, maneiras, pilhérias, tudo vem em caixotes pelo paquete. A civilização custa-nos caríssimo, com os direitos de Alfândega: e é em segunda mão, não foi feita para nós, fica-nos curta nas mangas..."
Eça de Queiroz, in Os Maias




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