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Aposta ganha

por Joaquim Pedro Lampreia, em 22.12.15

Vivíamos no feliz ano de 2006 quando o Governo escandalizou-se com os avultados lucros da banca e exigiu mais impostos sobre o sector.

Em outro blogue, escrevi no saudoso dia 08.11.2006 o seguinte:

Sobre o assédio fiscal do governo ao sector da banca, apetece-me citar Ronald Regan:

The government's view of the economy could be summed up in a few short phrases: if it moves, tax it. If it keeps moving, regulate it. And if it stops moving, subsidize it. 

Aposto que daqui a uns anos estaremos a dar subsídios ao BCP e ao BES.


Nem Nostradamus nem Zandinga fizeram melhor

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O Ministro das Finanças

por Joaquim Pedro Lampreia, em 03.11.15

É sabido que um bom Ministro das Finanças tem de ser imponente, duro, intransigente, inflexível, inabalável, teimoso, impermeável a pressões, tem de saber dizer não e tem de ser canino a proteger o dinheiro público e o seu plano financeiro.

Centeno.png

 

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O Cronista Perfeito

por Joaquim Pedro Lampreia, em 12.09.15

António Araújo, sempre tão exigente consigo como com os outros, fez um comentário no Ípsilon que me deixou surpreendido. Na crítica ao calhamaço KL – A História dos Campos de Concentração Nazi, de Nikolaus Wachsmann, Araújo elogia a “admirável honestidade intelectual do autor” e refere que este “é, nitidamente, um historiador profissional, dos pés à cabeça”. A razão para o panegírico? Araújo explica que aquele autor “pretende tudo menos criar uma obra sensacionalista ou avançar teses polémicas” e “Ao contrário do que sucedeu com outras abordagens do tema, como A Indústria do Holocausto, de Norman Finkelstein, ou Os Carrascos Voluntários de Hitler, de Daniel Goldhagen, o livro de Wachsmann não sustenta uma “tese” nem fica refém da sua defesa. Descreve um sistema”.

A dicotomia araujiana é evidente: de um lado temos o honorável e probo historiador, que se limita a descrever os factos; do outro, temos os pseudo-historiadores-espectáculo, prisioneiros com síndrome de Estocolmo perante a sua própria tese e, pior, ensejo de chocar.

Não é necessário recorrer à violência de Croce para pôr em causa esta mundividência da historiografia. O quentinho intelectual da “História Objectiva” foi desacreditado há muito e Araújo deveria sabê-lo. É disso prova a entrevista que o próprio Nikolaus Wachsmann deu à Ípslon ontem, onde inevitavelmente dá a sua opinião (oh, nefanda subjectividade) sobre muitas das grandes questões que extravasam o âmbito da sua obra.

Dir-se-á que estamos perante uma questão de método, pois enquanto Goldhagen diz imediatamente ao que vêm (qual é a sua tese) e prossegue tentando comprovar a mesma apresentando os factos, Wachsmann apresenta os factos e depois chega inevitavelmente à sua tese. Cada método tem vantagens e desvantagens e o seu campo de aplicação próprio. E nem sequer se pode apontar a falta de liberdade a um historiador que faz o que Goldhagen fez. Ao focar-se na resposta a questões essenciais, este tem mais liberdade nos temas que aborda (as marchas forçadas, os einzatsgruppen, etc.) do que Wachsmann, que se concentra apenas num tipo específico de campos de concentração. Será talvez este último quem tem menos legitimidade para sustentar uma tese sobre se “a população alemã sabia?”. E no entanto prontificou-se a responder, ficando por desvendar se a sua tese derivou da obra ou se foi o contrário.

Arthur C. Danto apresentou um argumento académico chamado o cronista perfeito, que registava todos os factos, no próprio momento e sem qualquer consideração. Danto explicou que este cronista perfeito (historiador dos pés à cabeça, como diria Araújo), seria totalmente inútil, pois os quilómetros infindáveis de escrita produzida não teriam qualquer utilidade. Aparentemente ainda há quem não o tenha percebido.

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Assis vs Guerreiro - O Combate Filosófico-Político

por Joaquim Pedro Lampreia, em 21.03.15

É o combate do século! 

No canto direito, usando gravata verde, o político socialista Frannnnnnnnncisco Assiiiiisssss. E no canto esquerdo, usando um pullover bege, o intelectual iconoclasta Antóooooooooonio Guerrrrrrrrrrrrreiro.

Tudo começou com o inócuo e ponderado texto de Assis no Público, Nem mais alemães que os alemães, nem mais gregos que os gregos. António Guerreiro leu-o e atirou-se a Assis, acertando um upper-cut  desconstrutivista no queixo de Assis, escrevendo no Ípsilon A elite consensual.

Acusado de ser um tecno-populista, Assis contra-atacou com uma sucessão de jabs e upper-cuts em A difícil moderação. Foi particularmente interessante ver Assis lançar um Roland Barthes, o autor-fetiche de Guerreiro, contra este último.

O Mike Tyson da crítica literária António Guerreiro não se ficou e ontem atirou Assis ao tapete em A política virtuosa. Será que Assis se levantará na próxima quinta-feira? Ou será o KO?

 

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"Isto não se faz"

por Joaquim Pedro Lampreia, em 22.09.14

Lisboa inundada e o nosso Presidente da Câmara nem sequer está à janela do município...

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The Economist: a arte de dizer disparates com arrogância intelectual

por Joaquim Pedro Lampreia, em 06.09.14

O The Economist pediu hoje desculpa pela crítica que publicou ao livro "The Half Has Never Been Told: Slavery and the Making of American Capitalism", de Edward Baptist. 

 

Com notório desdém pelo Autor, a crítica acabava com a seguinte pérola: "Mr Baptist has not written an objective history of slavery. Almost all the blacks in his book are victims, almost all the whites villains, This is not history; it is advocacy".

 

Este pequeno - mas revelador - episódio recordou-me porque cancelei a minha assinatura em 2003. A revista defendia a invasão do Iraque, com ares de superioridade intelectual e, lá está, sempre com um tom paternalista para os "tapadinhos" que estavam contra. Já se sabe: a arrogância misturada com a impetuosidade juvenil faz com que se diga as maiores estupidezes com uma galhardia desembaraçada.

 

Inevitavelmente, também acabaram por pedir desculpa uns anos mais tarde. Mas nesse caso foi diferente. É que presumo que as milhares de vítimas daquela criminosa invasão não a tenham aceite. 

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Mitos e lendas

por Joaquim Pedro Lampreia, em 02.01.14

A crença mais arreigada da sociedade portuguesa é o postulado da prioridade para quem já circula num cruzamento onde o trânsito se processa em sentido giratório (vulgo "rotunda"). Todos acreditam nisso mas ninguém sabe porquê.

 

Outro mito que perdura é o da imprescindibilidade do Euro. O facto de Portugal ter passado a ser, desde a sua adoção, um dos países que menos cresceu no mundo não parece abalar a fé dos crentes.

 

A estranha crendice das rotundas causa muita chapa amolgada e um ou outro acidente fatal. A crendice do Euro levou-nos à bancarrota. Ambos os casos ilustram a necessidade de repensar as nossas certezas.

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O país dos pacóvios

por Joaquim Pedro Lampreia, em 20.12.13

Sabemos que vivemos num país de pacóvios e ressabiados quando um inócuo vídeo de uma pequena sociedade de advogados se torna tema nacional, figura na capa de jornais e é considerado "o filme do ano" num dos poucos blogues que me merecia alguma credibilidade

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O Prémio Nero 2013

por Joaquim Pedro Lampreia, em 17.12.13

Mário Soares foi untado como personalidade do ano pelos jornalistas estrageiros residentes em Portugal. Faz sentido. É uma espécie de Prémio Nero, que distingue o incendiário que mais material deu aos escribas estrangeiros.

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Com-Senso

por Joaquim Pedro Lampreia, em 28.11.13

Hoje, no Público, Francisco Assis e João Miguel Tavares fazem a mesmíssima crítica ao ajuntamento da Aula Magna.

Mais do que uma curiosidade, é a prova que uma esquerda realista e uma direita inteligente convergem em pontos essenciais.

O futuro de Portugal passaria por aqui, não fossem estas, infelizmente, mundividências minoritárias.

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"Aqui importa-se tudo. Leis, ideias, filosofias, teorias, assuntos, estéticas, ciências, estilo, modas, maneiras, pilhérias, tudo vem em caixotes pelo paquete. A civilização custa-nos caríssimo, com os direitos de Alfândega: e é em segunda mão, não foi feita para nós, fica-nos curta nas mangas..."
Eça de Queiroz, in Os Maias




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