Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]


Se não vai a bem, vai a mal

por Helena Costa Cabral, em 23.03.12

Henrique Raposo é mais um crítico do sistema de quotas. O argumento principal não é original - o mérito.

 

Embora eu não considere que todos os críticos das quotas sejam machistas, sou de opinião que os homens não podem invocar o argumento do mérito e dizerem de uma forma irritantemente condescendente, como é hábito, que as mulheres que o merecem verdadeiramente não precisam de quotas e que as mesmas são até ofensivas e desrespeitadoras para o seu género. Só uma mulher pode dizer se se sente ou não ofendida com tal sistema.

 

Remeto para este claríssimo e muito elucidativo estudo da McKinsey  que conclui dois pontos fundamentais: (i) as empresas com mais mulheres em cargos de topo têm melhor performance em todas as áreas e (ii) se nada for feito, se não houver nenhum fator externo (legal ou regulamentar) a impor a mudança, nada mudará, i.e., os homens continuarão sempre a dominar os cargos de topo, políticos e empresariais. 

 

Isto prova o que todos já intuíamos: que a meritocracia é uma ilusão e que, se nada for feito, mulheres mais competentes e mais capazes continuarão a ser preteridas por cromossomas XY. Por isso as quotas são, infelizmente, um mal necessário para bem dos partidos, das instituições, das empresas e do país. Já esperámos demasiado tempo por uma mudança natural ou "social", como lhe chama Henrique Raposo. Há demasiadas barreiras culturais impossíveis de transposição natural. Já demos todas as oportunidades para que essa viragem ocorresse "socialmente". Não ocorreu. Agora acabou, se não vai a bem, vai a mal: venham daí as quotas.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

Como viver "à grande e à francesa" sem trabalhar

por Helena Costa Cabral, em 20.03.12

Esta é uma das formas.

Autoria e outros dados (tags, etc)

A queda de um anjo

por Helena Costa Cabral, em 06.03.12

Gosto tanto de dar protagonismo a Mário Soares como de uma colonoscopia, mas esta notícia é demasiado tentadora para ignorar.

 

Soares gostava de Paul Krugman e chegou mesmo "a citá-lo em muitas crónicas"! Tamanha honra oblitera até o prémio Nobel recebido.

 

Eis se não quando, Krugman vem a Lisboa para receber um doutoramento honoris causa e sai-se a dizer que o governo até se tem andado a portar bem e a fazer o que pode face aos compromissos assumidos com os nossos credores.

 

Soares chama a atenção para um dado fundamental: esta traição foi cometida na sequência de um almoço com os nossos actuais líderes, almoço este "agradável". Isso justifica que ele tenha sido elogioso, segundo Mário Soares. 

 

O nosso ex-PM e ex-PR conclui, desiludido: "Quando o oportunismo dos académicos os leva a contradições, a sua honorabilidade desce…"

 

Não sei o que é que os nossos líderes serviram nesse almoço, mas fiquei curiosa. Tal foi, para levar um prémio Nobel ser oportunista e contradizer-se. Gosto muito desta posição coerente e leal de Mário Soares: num momento Paul Krugman é um economista brilhante, citado e convictamente invocado pela esquerda por tudo e por nada, no outro é uma pê.. barata que se prostitui por um almoço.

 

De bestial a besta de manhã para a tarde.

Autoria e outros dados (tags, etc)

You didn't sign up for this (ainda o aborto...e sempre, até algo mudar)

por Helena Costa Cabral, em 13.02.12

No 2.º referendo, em 2007, a pergunta a que os portugueses tinham de responder Sim ou Não era esta:

 

Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras dez semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?

 

Em lado nenhum se pergunta: "Concorda em pagar todas as interrupções que, por opção da mulher, ela decida fazer? E já agora, concorda que essas mulheres fiquem 30 dias de baixa médica paga a 100% pela Segurança Social depois de cada interrupção?"

 

É óbvio que isto, em "referendês", não foi perguntado porque senão o resultado do referendo teria sido bem diferente.

 

Naturalmente que o meu voto foi Não. Enquanto mulher não gosto que me tratem como incapaz e enquanto ser humano não gosto de medidas que me desresponsabilizem porque me retiram logo a liberdade que eu tanto aprecio.

 

Mas se, porventura, tivesse votado Sim, neste momento sentir-me-ia ainda mais néscia. Este balanço dos primeiros 5 anos da lei é assustador e mostra como a campanha pelo Sim foi manipuladora e desonesta: Abortos reiterados, aumento assustador do número de abortos por ano, 80 mil fetos mortos, tudo grátis, e sempre com aqueles 30 diazinhos de férias pagas a 100% como bónus.

 

Urge corrigir esta situação quanto antes. Mesmo os portugueses que votaram Sim não votaram num Sim tão vergonhoso como este e não podem admitir que sejam cortadas pensões miseráveis, que se aumentem as taxas moderadoras e que deixem de ser comparticipadas determinadas intervenções médicas, para se deixar intacta esta injustiça de proporções épicas.

 

O Dr. Paulo Macedo está obrigado a agir rapidamente, até por uma questão de coerência tendo em conta os cortes profundos feitos na área da Saúde. E o CDS, em particular, tem o dever de não estar calado, como bem apontou o Tiago.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

Ainda sobre a polémica Mota Soares/Zorrinho...

por Helena Costa Cabral, em 07.12.11

A marca do Zorro:

  

 

 

 

 

A marca do Zorrinho:

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Armagedom

por Helena Costa Cabral, em 25.11.11

Portugal vai pagar € 34.400 M em juros à Troika.

 

Sempre gostava de saber como é que o Senhor Ministro da Economia faz coincidir o fim da crise com o final de 2012, se esta factura astronómica começa a ser paga a partir de 2013. Só se estiver a reger-se pelo calendário Maia e acreditar que o apocalipse ocorre em 21.12.2012 terminando a crise... e tudo o mais.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Este é o único Piquet(e) de jeito

por Helena Costa Cabral, em 24.11.11
O direito à greve assiste a todos os trabalhadores e pode ser exercido nos termos da lei. Mas esse direito não lhes permite impedir de trabalhar os que não querem fazer greve. É que também há o direito ao trabalho e por acaso também está consagrado na Constituição. O piquete desta manhã na Vimeca foi vergonhoso, como aliás são todos.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Valente General

por Helena Costa Cabral, em 09.11.11

 

Acabei de ler esta crónica de Fernando Dacosta que vale a pena partilhar. Já há alguns tempos que tinha a convicção que Ramalho Eanes foi o melhor PR pós-25 de Abril, mas mais por desmérito dos seguintes do que por mérito próprio. Mas esta atitude impressionou-me.

 

"Quando cumpria o seu segundo mandato, Ramalho Eanes viu ser-lhe apresentada pelo Governo uma lei especialmente congeminada contra si. O texto impedia que o vencimento do Chefe do Estado fosse «acumulado com quaisquer pensões de reforma ou de sobrevivência» públicas que viesse a receber. Sem hesitar, o visado promulgou-o, impedindo-se de auferir a aposentação de militar para a qual descontara durante toda a carreira. O desconforto de tamanha injustiça levou-o, mais tarde, a entregar o caso aos tribunais que, há pouco, se pronunciaram a seu favor. Como consequência, foram-lhe disponibilizadas as importâncias não pagas durante catorze anos, com retroactivos, num total de um milhão e trezentos mil euros. Sem de novo hesitar, o beneficiado decidiu, porém, prescindir do benefício, que o não era pois tratava-se do cumprimento de direitos escamoteados - e não aceitou o dinheiro.

Num país dobrado à pedincha, ao suborno, à corrupção, ao embuste, à traficância, à ganância, Ramalho Eanes ergueu-se e, altivo, desferiu uma esplendorosa bofetada de luva branca no videirismo, no arranjismo que o imergem, nos mergem por todos os lados. As pessoas de bem logo o olharam empolgadas: o seu gesto era-lhes uma luz de conforto, de ânimo em altura de extrema ungência cívica, de dolorosíssimo abandono social. Antes dele só Natália Correia havia tido comportamento afim, quando se negou a  subscrever um pedido de pensão por mérito intelectual que a secretaria da Cultura (sob a responsabilidade de Pedro Santana Lopes) acordara, ante a difícil situação económica da escritora, atribuir-lhe. «Não, não peço. Se o Estado português entender que a mereço», justificar-se-ia, agradeço-a e aceito-a. Mas pedi-la, não. Nunca!»

O silêncio caído sobre o gesto de Eanes (deveria, pelo seu simbolismo, ter aberto telejornais e primeiras páginas de periódicos) explica-se pela nossa recalcada má consciência que não suporta, de tão hipócrita, o espelho de semelhantes comportamentos. “A política tem de ser feita respeitando uma moral, a moral da responsabilidade e, se possível, a moral da convicção”, dirá. Torna-se indispensável “preservar alguns dos valores de outrora, das utopias de outrora”. Quem o conhece não se surpreende com a sua decisão, pois as questões da honra, da integridade, foram-lhe sempre inamovíveis. Por elas, solitário e inteiro, se empenha, se joga, se acrescenta - acrescentando os outros. “Senti a marginalização e tentei viver”, confidenciará, “fora dela. Reagi como tímido, liderando”.

O acto do antigo Presidente («cujo carácter e probidade sobrelevam a calamidade moral que por aí se tornou comum», como escreveu numa das suas notáveis crónicas Baptista-Bastos) ganha repercussões salvíficas da nossa corrompida, pervertida ética. Com a sua atitude, Eanes (que recusara já o bastão de Marechal) preservou um nível de dignidade decisivo para continuarmos a respeitar-nos, a acreditar-nos - condição imprescindível ao futuro dos que persistem em ser decentes."

 

Crónica Fernando Dacosta

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

Ainda o IVA na restauração

por Helena Costa Cabral, em 07.11.11

As pressões continuam para que a taxa não passe a ser a normal. Vamos ver se serão eficazes.

 

Pessoalmente, não me parece que subir o IVA da restauração seja a medida mais adequada. Preferia ver o IVA dos hotéis a subir. Não fiz as contas, mas sendo uma subida bem maior (de 6% para 23%), e sendo um serviço de valor superior, a receita poderia ser equivalente à obtida com a alteração prevista.

 

Acresce que a hotelaria não é tão essencial como a restauração, que ainda alimenta muita gente com baixos rendimentos. Seria, pois, uma medida socialmente mais justa. Se a preocupação é o sector do turismo, lembre-se que os turistas também comem, e quase sempre em restaurantes, pelo que também serão afectados por uma subida do IVA na restauração.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Cada cavadela, cada minhoca

por Helena Costa Cabral, em 07.11.11

Mais uma notícia malcheirosa. Já tínhamos ouvido o nome de Sócrates ligado à Face Oculta, mas não é arguido. E ouvimo-lo várias vezes, em casos igualmente fedorentos: Taguspark, Freeport, Cova da Beira, TVI. Mas será que não se pode levantar uma pedra sem aparecer o Senhor Sócrates lá de baixo?! Ele sempre teve ilusões de grandeza, mas ser omnipresente em todos estes processos não pode ser positivo.

Autoria e outros dados (tags, etc)


"Aqui importa-se tudo. Leis, ideias, filosofias, teorias, assuntos, estéticas, ciências, estilo, modas, maneiras, pilhérias, tudo vem em caixotes pelo paquete. A civilização custa-nos caríssimo, com os direitos de Alfândega: e é em segunda mão, não foi feita para nós, fica-nos curta nas mangas..."
Eça de Queiroz, in Os Maias




Comentários recentes

  • Swonkie

    Olá :) Enviamos um convite para o teu email. Caso ...

  • silva

    Como é possivel não cair! Se a corrupção que segun...

  • silva

    Como é possivel não cair! Se a corrupção que segun...

  • batidasfotograficas

    Para terem mais tempo para a família! Seria bom qu...

  • Tiago Sunzu

    Obrigado pelo seu comentário construtivo e com tan...




Arquivo

  1. 2016
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2015
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2014
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2013
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2012
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2011
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D






+18314 até 8.8.11 no Blogspot

subscrever feeds