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Os princípios e a oportunidade (i)

por Diogo Duarte Campos, em 01.11.15

Sempre ouvi dizer que nos princípios não se pode transigir. Por isso, entre outras, defendi Sócrates quando foi preso como foi e interrogado apenas dias depois. Pode ser legal mas é imoral e, é bom que não nos esqueçamos, amanhã qualquer um de nós poderá ter que se valer dos princípios.

 

É exatamente por isso que compreendo mal a opção do PS.

 

O PS viu a oportunidade e transigiu nos princípios. Em vários, talvez mesmo em todos:

 

Desde logo transigiu na forma como, desde há 40 anos, se tem entendido a legitimidade popular ou política. Era terreno comum que era ao Partido mais votado que cabia governar (ou, pelo menos, ter a oportunidade de iniciar o seu mandato). Foi assim com Cavaco, Guterres, César e Sócrates. Não havia nenhuma razão para não o ser agora. Esta não é, nem nunca foi, uma questão constitucional. É política ou de autoridade, no que de mais nobre tem a política. Sempre assim foi porque qualquer tentativa de formação de coligações contranatura teve o contrapeso do respetivo Presidente da República (Soares e Sampaio). O PS, apercebendo-se da oportunidade de o Presidente da República não poder dissolver o parlamento, resolveu transigir nos princípios.

 

Não se diga, por isso, que esta é uma questão pouco relevante ou que o que vale é apenas a maioria parlamentar. O PS sempre soube que assim não era. Por isso, na campanha, quando havia a possibilidade de a Coligação ter mais mandatos e menos votos, o PS defendeu que o relevante era ter mais votos. Por isso o PS defendeu, depois (quando percebe que teria menos votos e menos mandatos que a Coligação), que o mais relevante é ser o partido com mais mandatos (na expectativa que sozinho tivesse mais deputados que o PSD). E, só quando se percebeu que a Coligação teria mais votos e mais mandatos e que o PSD sozinho teria mais deputados, passou a defender que o relevante era ter uma maioria parlamentar. Numa palavra: viu a oportunidade e transigiu nos princípios.

 

Bem se percebe: ganhar eleições não é um detalhe em democracia. É o essencial. Que o diga Santana Lopes.

 

E, de facto, pior que ser Primeiro-Ministro não eleito (ainda que apoiado por sólida maioria parlamentar), só ser um Primeiro-Ministro derrotado... Com menos votos, menos mandatos e menos deputados. E apoiado por uma maioria conjuntural e instável. Santana Lopes era, de facto, o Primeiro-Ministro de uma maioria parlamentar, Costa nunca será o Primeiro-Ministro do PCP ou do Bloco. Pior, Costa não é, sequer, o Primeiro-Ministro do seu grupo parlamentar e, muito menos, de muitos que nele votaram.

 

Tem um homem que tanto transigiu e tão pouca legitimidade apresenta alguma condição de ser Primeiro-Ministro? A única parte que não percebo é que porque se sujeita o próprio a tamanho vexame.

 

 

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Costa transformado em Jorge Jesus?

por Diogo Duarte Campos, em 15.10.14

Portugal tem um grave problema económico? Nada que não se resolva com alguma fisioterapia, diz Costa!

 

Portugal tem um grave problema de competitividade? Nada que não se resolva com uma agenda para década, diz Costa!

 

Portugal tem um problema de contas públicas e de manutenção do Estado Social? Nada que não se resolva pela terceira via do crescimento, diz Costa!

 

Lisboa tem um problema de saneamento e drenagem, mas para esse Costa logo atalha dizendo que é assim mesmo e que não tem resolução.

 

Pimenta no dos outros, não é? 

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...

por Diogo Duarte Campos, em 13.04.14

Confesso que muito gostaria de saber a opinião de todas aquelas Senhoras das várias associações femininistas que a nossa esquerda fez brotar sobre o facto de Otelo viver às segundas, terças e quartas com uma senhora e às quintas, sextas e sábados com outra (suponho que descanse ao Domingo?).

Ainda o considerarão um herói?

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Faltam-nos ricos

por Diogo Duarte Campos, em 13.10.13

O Bispo da Guarda resolveu interferir nos assuntos terrenos para, ao melhor estilo de 75 - e que tão bons resultados – teve que ainda está na génese de muitos dos nosso problemas proclamar: os ricos que paguem a crise.

 

Poderia explicar a idiotice da afirmação de muitas formas: poder-se-ia argumentar com base no economês; com base em princípios éticos que suponho não sejam desconhecidos do Senhor Bispo, tal como se poderia explicar que tal afirmação mais não significa, filosoficamente, que a instrumentalização do homem.

 

Mas, de todas as explicações possíveis, há uma que me parece mais impressiva, porque monetária, matemática mesmo: não temos ricos suficientes para pagar a crise.

 

Ou seja, mesmo que o caminho devesse ser o indicado pelo Senhor Bispo, falta-lhe uma premissa essencial: não temos ricos suficientes para pagar a crise.

 

Repare-se: Américo Amorim, segundo a Forbes, valerá 1,9 mil milhões de euros, mas Portugal em 2012, terá tido necessidades de financiamento (vulgo deficit) de cerca de 8,3 mil milhões.

 

O problema, em Portugal, não são os ricos que temos, são os ricos que não temos.

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Pais da democracia

por Diogo Duarte Campos, em 12.10.13

Ainda que as mais das vezes seja involuntária, Manuel Alegre tem uma qualidade que aprecio: diz alto o que muitos pensam.

 

Na sua posição sobre o corte de subvenções a titulares de cargos públicos diz clarinho ao que vem: nós, pais da democracia, não podemos ter o mesmo tratamento dos demais. Nem mais nem menos. Acha, Manuel Alegre, que todas as gerações deveriam estar eternamente gratos à sua geração.

 

E, mais do que gratos, dispostas a pagar os excessos que essa própria geração atribuiu a si mesma; dispostas a aceitá-los eternamente na vida pública, ainda que 3 intervenções externas, porventura, devessem ser suficientes para abalar essa gratidão. Mas para eles, pais da democracia, parece não ser.

 

Este é, aliás, o verdadeiro problema em causa em muitas das medidas deste Governo: há uma geração que não perdoa a Passos Coelhos ter deixado de estar no poder e sentada à mesa do orçamento. Seria bom, aliás, para percebermos bem o que está em causa, que os Capuchos e as Ferreiras Leites desta vida que sempre têm tanto a dizer falassem, agora, sobre esta medida.

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Demagogia

por Diogo Duarte Campos, em 11.10.13

 

Muito se tem falado em demagogia a propósito do corte de subvenções vitalícias de políticos. Confesso-me sensível ao argumento. Quer intelectual quer, sobretudo, emocionalmente, porque dá sempre muito mais gozo estar do outro lado.

 

Porém, neste caso concreto, não há qualquer demagogia, sendo, aliás, a decisão justíssima.

 

Defendem, os visados, que a sua situação deveria ser igual aos demais Portugueses, pelo que estariam disponíveis para aceitar um corte de 15%, idêntico ao corte das pensões de sobrevivência, sob pena de sermos, voilà, demagógicos.

 

Porém, a verdade é que nem as pensões de sobrevivência têm seja o que for que ver com subvenções pelo desempenho de determinadas funções, pelo que a equiparação é ridícula; como a verdade é que a atribuição, ainda que legal, de subvenções pelo desempenho de determinadas funções sempre foi imoral.

 

Defendo, há muito, que quer por razões ideológicas quer, sobretudo, por razões práticas decorrentes dos sacrifícios – por vezes injustos é bom que se diga – que têm sido pedidos, ao Governo actualmente em funções não se impõe, apenas, o cumprimento da lei, impõe-se, antes sim, uma postura ética inatacável.

 

Este é um primeiro passo e que, confesso, tardava.

 

Se quiserem chamem-me demagogo à vontade. E, já agora, moralista. A ver se me importo.

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Jornalismo de Sarjeta

por Diogo Duarte Campos, em 23.04.13

O Público, ou melhor, o jornalista Victor Ferreira, resolveu que merecia destaque o facto de o novo Secretário de Estado da Administração Interna ser oriundo do mesmo Distrito do qual é natural o respectivo Ministro (Braga, no caso concreto).

 

Não se diz, mas fica no ar, que se Miguel Macedo não fosse de Braga Fernando Alexandre talvez não tivesse sido nomeado (apesar de ter carreia académica e profissional mais do que suficiente). Não se diz, mas fico no ar, que houve algum género de favorecimento por serem do mesmo Distrito.

 

Pois claro, ó Senhor Victor Ferreira, qualquer Secretário de Estado que não seja da aldeia Lisboeta merece que se destaque o seu nascimento, não é? Percebo-o bem, há que desconfiar, não é? Ora deixa lá ver porque foi o gajo (o Ministro, perceba-se) buscar alguém de fora? Isto é estranho…

 

Já lhe ocorreu, Senhor Victor Ferreira, que os outros oito milhões de Portugueses que não vivem na aldeia Lisboeta em geral não têm lepra e até podem ter uma quantas qualidades.

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...

por Diogo Duarte Campos, em 13.04.13

Deve ser de ter aproveitado para rever dezenas de vídeos de Thatcher: mas cada vez acredito menos nessa história do consenso, de chamar o PS, de não sei o quê com os parceiros sociais... A loucura é tanta que o Presidente de uma coisa irrelevante chamada CES parece ser transformado num D. Sebastião. Sinceramente, o que se pode negociar com a CGTP que todos os dias pede a demissão do Governo e lhe chama nomes. Depois do PS ter apresentado uma moção de censura e ter escolhido o caminho da extrema-esquerda que mais se pode consensualizar? As sistemáticas tentativas de consensos não levam a lado nenhum e impossibilitam qualquer reforma. É tempo de acção, de convicções e de clareza. E claro de confronto e rupturas. Sem medo.

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curiosa e simultaneamente

por Diogo Duarte Campos, em 01.04.13

Todos os dias ouço a oposição garantir que o Orçamento é inconstitucional. E, também, que o Governo está a fazer pressão sobre o Tribunal.

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O desenho do resgate

por Diogo Duarte Campos, em 01.04.13

Confesso que gostei da entrevista de Sócrates. Melhor; mais do que ter gostado foi-me útil. Com toda a certeza para me relembrar de como é possível subverter todos os números, mas também para ser relembrado de como quem trabalha em geral vai mais longe (a preparação de Sócrates face ao sistemático improviso de Passos faz pensar muito), ou como é bom voltar a ter política com alma.

 

Porém, foi, sobretudo, útil para perceber porque é que o memorando é o que é. Sempre me havia intrigado como é que um homem combativo e com forte senso político tinha sido capaz de deixar passar imensas incongruências do programa. O famoso mau desenho que quer o CDS que mesmo Gaspar já há muito vinham falando.

 

Tudo ficou claro. Foram duas as razões: primeiro, Sócrates, logo após o chumbo do PEC IV, as maiores atenções de Sócrates viraram-se para as eleições e não para a negociação de um memorando que nunca quis e que tudo fez para evitar. Por isso delegou a negociação no seu Ministro das Finanças (com quem, aliás, não mantinha nenhuma relação, o que não deixa de ser extraordinário). Segundo, porque mesmo que ganhasse, nunca passou pela cabeça de Sócrates cumprir o memorando.

 

A estratégia de Sócrates para a saída da crise sempre foi negocial e não de cumprimento. Sempre foi política e não económica. Simplificando: sempre foi mais próxima da Grega do que da irlandesa. Parece que o vejo: escrevam o que quiserem, depois logo negoceio isso….

 

Só assim se percebe que o documento seja um amontoado de velhas reivindicações do Ministério das Finanças, sem qualquer vertente política.

 

Todavia, muito mais importante, é a conclusão a retirar: não há outro culpado que não Sócrates para o que no está a acontecer. Pior só mesmo se tivesse ganho as eleições, pois, não só teríamos que cumprir o memorando na mesma, como a estratégia de tudo jogar numa solução política, seguramente que nos teria atirado para bem longe de qualquer flexibilidade.

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"Aqui importa-se tudo. Leis, ideias, filosofias, teorias, assuntos, estéticas, ciências, estilo, modas, maneiras, pilhérias, tudo vem em caixotes pelo paquete. A civilização custa-nos caríssimo, com os direitos de Alfândega: e é em segunda mão, não foi feita para nós, fica-nos curta nas mangas..."
Eça de Queiroz, in Os Maias




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