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O custo energético do mercantilismo alemão

por Ruben Eiras, em 02.03.12

A intensidade da dependência energética europeia do gás russo está em crescendo. O gasoduto alternativo «Nabucco» continua envolto em incerteza, pois não existe garantia de abastecimento por parte do Azerbeijão e a alternativa colocada é o Iraque...

 

Por sua vez, a Gazprom planeia começar a construir o South Stream, para tornear a passagem pela Ucrânia e a Bielorússia. O projeto não só torna o Nabucco redundante, como intensifica a rigidez da dependência europeia do gás russo. Aliás, a Eslovénia já negociou a passagem do gasoduto pelo seu território, à revelia dos seus parcerios da European Energy Community. Entretanto, a Bulgária solicita à Gazprom um desconto no preço do gás em troca de captura de investimento russo.

 

Se a mentalidade fundamentalista-mercantilista alemã não mudar, a segurança energética europeia ficará seriamente comprometida com esta troca de compra de energia por acesso previlegiado ao mercado russo.

 

A segurança energética europeia não pode ficar presa à visão puramente continentalista. A Europa só se projetou globalmente quando dominou o poder marítimo.  Por isso, a Europa deveria aumentar a sua capacidade de receção e armazenamento de Gás Natural Liquefeito (GNL) que pode ser transportado por via marítima.

 

Além disso, a Europa tem de explorar as suas fontes endógenas de gás, de curto prazo (gás de xisto, como a Polónia está a fazer) e de longo prazo (hidratos de metano).

 

Esta é uma das perspetivas geopolíticas que a política energética portuguesa tem de trabalhar em conjunto com os países do Sul da Europa, o Reino Unido e a CPLP.

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Quebrar os défices energético e alimentar

por Ruben Eiras, em 28.02.12

Se Portugal não tomar iniciativas de fundo para solucionar o «défice duplo» energético e alimentar, a sua competitividade será sempre demasiado vulnerável aos futuros choques geopolíticos que surgirão nestas duas fontes de recursos-base da vida.

 

Com efeito, a excessiva dependência externa no acesso a energia e a alimentos tem já impacto imediato nas contas (por exemplo, as importações energéticas representam cerca de metade do défice externo). Portanto, explorar as capacidades do país ao máximo para a substituição de importações, competitiva, nestas áreas, aumentando a segurança energética e alimentar, é crucial.

 

Por isso, no campo da energia, é de louvar a iniciativa do Governo no aval à exploração de gás natural no Algarve. Mas já é menos apreciável a diabolização excessiva que vem sendo realizada acerca das renováveis, sobretudo da eólica. Certamente será necessário rever alguns contratos de aquisição, mas é preciso ter em conta que as renováveis são só substituem importações de eletricidade, como também são uma fonte exportadora de serviços e bens de valor acrescentado.

 

E no campo alimentar, o Governo não pode ficar à espera do «milagre da chuva». Mas também tem de se afastar das abordagens tradicionais. É positiva a iniciativa do Banco de Terras. Mas a agricultura portuguesa precisa de mais. O Governo deveria promover protocolos de cooperação científica e tecnológica com Israel e Brasil neste domínio. Isto porque estes dois países operaram duas verdadeiras revoluções na produtividade agrícola em terrenos inóspitos: Israel no deserto e o Brasil no Serrado. 

 

Quem governa não pode agir só para o imediato, mas tem de lançar as sementes para um futuro mais próspero.

 

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A nova geopolítica da energia para Portugal

por Ruben Eiras, em 20.02.12

A provável falta de eficácia das sanções da UE a banir o consumo de petróleo iraniano é mais um sinal da perde da poder do Ocidente no sistema-mundo. Com a China e a Índia a não alinharem nas sanções, os dois BRIC vão poder negociar com o Irão a compra de petróleo a um preço muito abaixo do preço de mercado do barril. Nem com a integração destas duas potências na Agência Internacional de Energia o cenário da sua decisão mudaria.

 

Isto mostra que a política de energia europeia (e especialmente a portuguesa) tem que seguir uma estratégia de segurança energética assente não só na eficiência do consumo, mas também na máxima exploração dos seus recursos endógenos, renováveis e fósseis. E neste último aspecto, acelerar ao máximo a transição para o gás natural para substituir, por exemplo, o petróleo no abastecimento dos transportes públicos.

 

Mas o que está a Europa a fazer? Em vez de diversificar ao máximo as dependências energéticas e a explorar todos os seus recursos endógenos, o «efeito alemão» está a afunilar o continente no gás russo e nas tecnologias renováveis e de captura e sequestro de carbono (altamente pouco viável) germânicas. Com efeito, a Alemanha está fazer tudo o que pode para impedir a exploração do «shale gas» na Europa, a fim de assegurar a exportação do gás russo, com o objetivo de, em troca, dominar o mercado tecnológico para além dos Urais. A prazo, a UE estará refém de uma dependência enmergética extrema da Rússia.

 

Para que Portugal mitigue este efeito de arrastamento, há que conceber uma estratégia assente em dois novos fatores geopolíticos energéticos: CPLP e China. Como?

 

  • A CPLP como uma rede de mercados energéticos (petróleo, gás e renováveis), na qual os países podem comerciar entre si em condições vantajosas commodities combinadas com tecnologia.

  • A CPLP como parceiro da China na sua segurança energética, sendo Portugal um agente facilitador na construção desse quadro de cooperação. E cartas não faltam para jogar: Moçambique será um grande exportador de gás para o Império do Meio. Portugal poderá ser um re-exportador de Gás Natural Liquefeito (GNL) para o mercado chinês quando o Canal do Panamá se alargar em 2015. Angola é o maior exportador de petróleo para a China. A Sinopec está presente em todos os blocos do pré-sal brasileiro. A CTG é a maior acionista da EDP.

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Is TUA the new black?

por Ana Rita Bessa, em 07.12.11

Barragem do Tua põe em risco Património Mundial no Douro

"O Comité do Património Mundial da UNESCO considera que a construção da barragem de Foz Tua tem um "impacto irreversível e ameaça os valores" que estão na base da classificação do Alto Douro Vinhateiro como Património Mundial. Esta é uma das conclusões do relatório da missão consultiva que, a solicitação do Governo português, visitou o local no início de Abril e que aponta ainda para outros impactos negativos e graves do empreendimento. O documento foi produzido pelo Icomos, uma associação de profissionais da conservação do património que é o órgão consultivo daquele comité da UNESCO."

(in Público, 7/12/2011)

Por natureza, simpatizo com a causa cultural. 

Por feitio, não teço considerações sobre o que não estou informada.
Por graça, não resisti a mencionar esta sensação de dejá vu...

 

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A cartada geopolítica da Rússia

por Ruben Eiras, em 15.11.11

No meio da cacofonia da crise do euro, silenciosamente a Rússia estende cada vez mais a sua influência sobre a Europa, com o novo gasoduto Nordstream e com as compras de ativos na Grécia, entre os quais se contam portos e aeroportos. Com estes dois movimentos geopolíticos, a Rússia consegue aumentar na Alemanha o seu poder energético e ganha acesso estratégico ao mediterrâneo. As indefinições europeias poderão ter um preço muito elevado...

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Recursos minerais em Portugal: um esclarecimento, um elogio e uma sugestão ao Álvaro

por Ruben Eiras, em 26.10.11

Sobre a exploração dos recursos minerais em Portugal (minérios e petrolíferos) há que esclarecer e elogiar o seguinte:

 

1 - Esclarecimento: a iniciativa da retoma da exploração mineira vem do anterior executivo socialista e não é iniciativa deste governo - ver aqui

 

2 - Elogio: mesmo assim, há que louvar a conclusão do processo pelo Álvaro, bem como o desbloqueio (finalmente) da exploração de gás natural no Algarve, afrontando o lóbi turístico-imobiliário algarvio

 

3 - Sugestão: Tornar Portugal um locais pioneiros na exploração&produção de hidratos de metano, uma fonte não convencional de gás localizada no fundo marinho - o Japão e o Canadá estão na liderança nesta matéria e o leito marinho português é muito atrativo neste recurso, como já atestado pelos estudos de alargamento da Plataforma Continental

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A soberania energética é o potencial geopolítico português

por Ruben Eiras, em 17.10.11

Eis uma decisão acertada: o governo autorizou a exploração de gás natural no Algarve, concretizando assim uma oportunidade potencial já muitas vezes propalada por António Costa Silva, CEO da Partex.

 

A par desta iniciativa, as perspetivas da exploração petrolífera no deep offshore de Peniche levada a cabo pela Galp e Petrobras também são promissoras: o consórcio já avançou para a sísmica 3D e 4D. Isto significa que é provável a existência de reservas em quantidade considerável.

 

Se a estes dois movimentos juntarmos o potencial existente de shale gas em Portugal, o potencial de energia renovável em eólica off-shore e solar, a produção hidroeléctrica e a posição geográfico-marítima do país para canal de armazenamento e abastecimento de gás natural liquefeito para o mercado europeu, verifica-se uma conclusão óbvia: a energia é um dos factores-chave para Portugal sair da crise e recuperar a sua soberania de uma forma sustentável.

 

Ou seja, a soberania energética é chave para a soberania económica. Isto porque as importações energéticas representam em média, 50% do nosso défice externo.

 

Portanto, se debelarmos o nosso problema energético, não só diminuímos importações, como criamos uma indústria competitiva.

 

Para isso, Portugal tem de trilhar em simultâneo os caminhos das renováveis e das novas tecnologias de exploração de combustíveis fósseis.

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O choque geopolítico do gás de xisto polaco

por Ruben Eiras, em 11.10.11

A perspectiva de independência energética da Polónia em virtude da exploração das enormes reservas gás de xisto (shale gas) - existe um potencial de abastecimento de 300 anos do mercado polaco - está a gerar um novo foco de tensão geopolítica entre a UE e a Rússia.

É que se a exploração e produção de shale gas avançar a fundo na Europa Central, isso significa o fim da dependência energética extrema da UE do gás natural russo. A primeira reacção dos europeus centrais, como a Alemanha,  face a esta notícia, deveria ser de satisfação.

 

Mas não é.

 

Pelo contrário, há enormes movimentações nos bastidores de Bruxelas, com o apoio da Alemanha e da França, para banir a exploração do gás de xisto na UE, agitando a bandeira dos impactos ambientais negativos, devido ao risco de contaminação dos lençóis freáticos.

 

Gazprom e Ambientalistas: a estranha aliança


Mas as verdadeiras razões são outras. Ironia das ironias, o grande aliado dos ambientalistas nesta «causa» é a Gazprom.  A empresa russa está super-ativa em Bruxelas para promover legislação para banir a exploração de shale gas na UE. Isto porque se o projeto avançar, a UE deixa de estar dependente energeticamente da Rússia, e em consequência, a Alemanha perde a moeda de troca para um acesso facilitado ao mercado russo (a Alemanha é o maior consumidor da UE de gás natural russo). E a Rússia, por sua vez, perde o acesso facilitado à tecnologia alemã.

 

Além disso, isto também significaria um aumento significativo do poder polaco na UE, afirmando-se como um concorrente a prazo face à influência alemã a Leste. Ainda por cima com o apoio forte dos EUA, já que a exploração do shale gas é realizado somente com tecnologia americana.

Com efeito, esta tecnologia disruptiva nascida nos EUA fez com que o preço do gás descesse a pique, retirando força às ambições de potência energética russa ancorada no gás natural.

 

Este é apenas mais um sinal comprovativo de que a política energética europeia está, atualmente, desenhada apenas para servir os interesses germânicos no sector, desde a promoção de determinadas tecnologias renováveis (solar e eólica) e da aposta no gás natural como energia primária-base.

 

Mas nem todos os países da UE vão na cantiga: a Suécia, por exemplo, quer fazer da biomassa e não o gás natural a principal fonte de energia primária.

 

Por isso, é altura de Portugal também de ter uma política energética que contribua para a recuperação da sua soberania económica, à semelhança do que está a fazer a Polónia.

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Para Soares este mundo é confuso. Não põe o "chapéu da energia"

por Marcos Teotónio Pereira, em 03.09.11

O Nate Hagens é um antigo editor de um blog muito conceituado sobre energia "The oil drum". Nesta entrevista "Peak oil and the longage of expectations" Nate fala sobre assuntos que são caros à nossa esquerda.Vale mesmo a pena ler (ou ouvir).  

 

Nate põe o "chapéu da energia" e o mundo fica mais simples. Fala do efeito no crescimento económico mundial de uma produção de petróleo que não consegue corresponder à procura. Fala  do custo de extração de petróleo e de porque é que antes de não haver mais já não compensa extraí-lo. Fala de uma teoria económica que é obviamente incompleta. De uma visão monetária desfocada da realidade.

 

Sem demonizar ninguém e não procurando culpados Nate mostra que os activos estão sobreavaliados porque existem constrangimentos físicos muito reais ao cescimento económico. A economia do dólar está gravemente afectada e apercebemo-nos que o Euro tem uma excelente oportunidade para ser catapultado para uma posição cimeira na politica monetária mundial. 

 

Não acredito em teorias de conspiração (acho mesmo que este mundo é como um barco que navega sem ninguém ao leme) mas penso que alguns europeus já perceberam que uma maior integração política da zona Euro é essencial para que o Euro aproveite esta oportunidade. A perca de soberania de todos os envolvidos vai ter que ser engolida pelo eleitorado dos vários países e isso não é fácil. Pelo meio temos muita gente a aplicar a velha máxima de que "é nestas alturas que a roda da fortuna gira".

 

Não esquecer que Nate é americano e fala para os americanos. Tem uma visão do mundo que não é a europeia e não é de certeza a de Soares. Mas deve ser ouvido com muita atenção.

 

 

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Segurança Energética Inteligente

por Ruben Eiras, em 27.08.11

Artigo publicado no Expresso na edição de 27-08-11

 

O Brasil é o modelo para uma política de segurança energética inteligente geradora de desenvolvimento sustentável. É o que demonstra o Índice de Segurança Energética Inteligente (ISEI), um índice composto que relaciona o desempenho alcançado em cinco dimensões influentes na segurança energética, nas vertentes económica, ambiental e geopolítica, a saber: intensidade energética, intensidade carbónica, energia primária de base renovável, eletricidade ‘verde’ e grau de dependência energética de combustíveis fósseis.

 

Com base em informação do Eurostat e da Agência Internacional de Energia, o ISEI é calculado segundo uma média composta pelos quatro primeiros indicadores referidos, sendo esta ponderada pelo último. O ISEI varia numa escala de 0 a 5, em que quanto melhor o desempenho alcançado num indicador mais elevada é a pontuação.

 

Os resultados falam por si. O ISEI do Brasil, quando comparado com o da União Europeia, é bem revelador do sucesso da estratégia prosseguida: 4,3 contra 1,1. O gigante sul-americano não só é autossuficiente em petróleo, mas também alcança a proeza de incluir no seu mix energético cerca de 50% de energia primária de base renovável. Em contraste, a UE, no seu todo, não ultrapassa os 8% neste componente.

O Brasil conseguiu este feito notável nas energias renováveis essencialmente pelo foco em duas frentes: 76% da eletricidade é de origem hidroelétrica e perto de 20% dos seus combustíveis líquidos são produzidos a partir de cana-de-açúcar. E, também, pela forte aposta na exploração&produção  (E&P)  de petróleo  e  gás em águas ultraprofundas.

 

Eis uma lição crítica para Portugal: apesar de, entre a UE, possuir uma das maiores percentagens de fontes renováveis no seu mix de energia primária (sobretudo para produção de eletricidade), o ISEI português apresenta um desempenho muito baixo (0,42).

 

Isto significa que a elevada vulnerabilidade energética de Portugal manter-se-á enquanto não se melhorar fortemente a eficiência energética dos sistemas industrial e de transportes, bem como reduzir a dependência extrema do país da importação de petróleo como única fonte base dos combustíveis líquidos.

 

Neste plano, a estratégia energética deverá focar-se, no curto prazo, na diversificação pela introdução dos biocombustíveis, do gás natural e da mobilidade elétrica e, no médio-longo prazo, no aprofundamento da exploração das potenciais fontes fósseis nacionais, a maioria localizada em território marítimo: petróleo em águas ultraprofundas, gás de xisto e hidratos de metano.

 

Este desafio é uma excelente oportunidade de cooperação para uma segurança energética inteligente entre Brasil e Portugal, geradora de riqueza real e soberana.

 

Doutorando em segurança energética pelo ISCTE-IUL e Academia Militar; Membro do Grupo de Estudos “Brasil e Atlântico Sul” do Instituto de Defesa Nacional

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"Aqui importa-se tudo. Leis, ideias, filosofias, teorias, assuntos, estéticas, ciências, estilo, modas, maneiras, pilhérias, tudo vem em caixotes pelo paquete. A civilização custa-nos caríssimo, com os direitos de Alfândega: e é em segunda mão, não foi feita para nós, fica-nos curta nas mangas..."
Eça de Queiroz, in Os Maias




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