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O vil metal

por José Meireles Graça, em 30.09.12

Há uns bons anos, Cavaco aconselhou os empresários portugueses a virarem-se para Espanha. E para sustentar o conselho chamou com sagacidade a atenção para a circunstância de a Espanha ter um mercado muito maior, com um muito maior poder de compra, e ficar mesmo aqui ao lado. Isto foi para muitos quase uma epifania, dado que até à revelação nunca se tinham apercebido daqueles factos. Não obstante, com a característica curteza de vistas do empresariado nacional, não houve uma corrida para Espanha. Pior, dos que já lá estavam, e dos poucos que para lá foram, boa parte começou recentemente a dar à sola: lá como cá o que neste momento está a progredir é o retrocesso.

 

Quando algum Chefe de Estado, ou Primeiro-Ministro, vai ao Brasil, faz parte da tradição querer incentivar muito, incentivar intensamente, incentivar convulsivamente, as trocas bilaterais e o investimento. As trocas e o investimento em questão revelam-se teimosamente impermeáveis a incentivos por via de discursos, mas nem por isso os políticos de consequência desistem de tentar puxar a carroça do empreendedorismo.

 

O empresariado é que não acompanha.

 

Sem dúvida para remediar esta congénita deficiência, o actual Governo conta com um Secretário de Estado do Empreendedorismo. A tarefa deste político é ciclópica: tem que vencer o atávico atraso e falta de formação do empresariado português, constituído na sua esmagadora maioria por broncos quase irrecuperáveis, e isto baseando-se em pouco mais do que a pregação do Evangelho da Gestão Fortemente Lúcida, dado que dinheiro para distribuir não há - o tempo de torrar arame do contribuinte nas Qimondas da vida já lá vai. Nem dinheiro nem gestores, visto que as fornadas de técnicos altamente qualificados que as Faculdades de Economia e Gestão despejam anualmente no mercado vão trabalhar para o Estado, a Banca, e, mais recentemente, o estrangeiro. Agora, empresas é que não fazem, possivelmente por não quererem ombrear com o empreendedor tradicional, com vergonha da companhia.

 

Não há, graças a Deus, dinheiro para distribuir, mas também não há para emprestar. E aqui revela-se em todo o seu esplendor a utilidade de um Secretário de Estado do Empreendedorismo: não é preciso haver dinheiro para emprestar, informa o próprio, em pessoa ele mesmo. Em sendo preciso financiamento, reforçam-se os capitais próprios e pronto. Fallait y penser, a coisa é luminosamente simples.

 

Quer dizer que se alguém quer investir - reforça os capitais próprios; tem encomendas com pagamentos a prazo mais longo do que o que pode obter junto de fornecedores, a somar a um ciclo de produção também longo - reforça os capitais próprios; quer inovar, expandir, procurar novos mercados - reforça os capitais próprios; o Estado não restitui o IVA nos prazos, na mesma altura em que há um incumprimento de um cliente - reforça os capitais próprios; arderam-lhe as instalações, e a companhia de seguros arrasta os pés, porque a Lei e a supervisão o permitem - reforça os capitais próprios; e sucedem-lhe os mil e um imponderáveis da vida das empresas, o tempo penoso do início, a infelicidade imprevisível à qual é possível sobreviver, a oportunidade inesperada que é preciso agarrar - reforça os capitais próprios.

 

Este Secretário de Estado é um grande estadista. Mas Sancho Pança - era maior.*

 

* Frase de fecho pilhada de um clássico português, quem não conhecer tem a minha autorização para googlar.

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Musica da Semana

por João Monge de Gouveia, em 29.09.12

A nossa dedicatória desta semana vai para a jovem cuja foto a abraçar um policia correu mundo e que após uma semana já estava a dar uma entrevista de bikini a essa grande revista de luta social que é a "VIP" com o titulo sugestivo de "sinto que acordei o coração das pessoas"", mas de bikini claro!!

 

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Que se lixem as "culpas"!

por Nuno Cunha Rolo, em 28.09.12
E a culpa é de governos anteriores? A culpa é de Sócrates e do governo anterior? E a culpa é dos políticos? Sim, e a culpa é de Salazar? E a culpa é do Marquês de Pombal? E a culpa é dos Filipes? E a culpa é de Afono Henriques?... e a culpa é dos macacos?!!

Que porra de desculpas, sobretudo para aqueles que nunca fizeram ou fazem nada pelo seu país, comunidade, vizinhança, etc... Pior, muitos provavelmente até estão na primeira fila do escárnio, da censura, da crítica, da mentalidade arcaica, negativa, mesquinha ou da politiquinha da humilhação, do bloqueio, da cunha e anti-cunha, da difamação, da hipocrisia, etc, etc..e há muitos por aí ainda infelizmente… Eu desaprovo estes, mas não posso, nem quero agora estigmatizá-los porque todos precisamos da maior parte. Estamos todos no mesmo barco. Estamos todos no mesmo barco do camarote ao casco! Da popa à proa! No topo ou na base, da esquerda à direita, estamos todos dentro dele! E não é, ou não deve ser, uma questão de culpa! É uma questão de futuro, que parte da responsabilização individual e colectiva, caso contrário até constitui uma ofensa a quem usa a testa para pensar, dizer-se que tudo cabe a um governo e o resto é paisagem e bananas! Numa democracia, não decidem todos tudo, todos decidem o essencial e alguns, os escolhidos, decidem o principal e o acessório. A sociedade política somos todos nós, não é só feita de políticos. Então e os cidadãos e organizações? Não existem? Não têm poder? Mas não é este o mundo globalizado, digital e plano? A primavera árabe não foi causada pelo acto de uma só pessoa, o tunisino Mohamed Bouazizi?!

As políticas erradas devem ser democraticamente combatidas, as decisões ilegais devem ser legalmente sancionadas e os decisores de actos criminosos devem ser penalmente julgados e condenados, do funcionário ao presidente da república. Ninguém deve ficar de fora. Mas o discurso de que a culpa do estado da nação é de passados governantes, do Estado ou desta ou daquela elite, para além de afrontoso à inteligência popular, é uma falácia argumentativa e esconde uma não-inscrição política social ou humana dos cidadãos, se não mesmo uma alienação. O que é legítimo, refira-se, mas então que ‘fale-se pelo exemplo’. E mesmo que se admita a verdade parcial das “culpas”, estas só servem para construir nadas positivos e vazios colectivos, terrenos férteis para o autoritarismo, o mau-estar social, a pobreza e a fome das maiorias do costume, que têm, refira-se, aumentado em Portugal!

A sociedade não se faz de um individuo, pater familias ou político. Esse tempo já lá vai. Só há uma maneira de ter o nosso destino nas mãos: é reunir a maioria, dedicada, comprovada e alargada, socialmente representada, com sentido de comunhão, razão e bom senso, e construir um projecto de acção e equidade política agregador da maioria e superador da crise. Crise que não depende, nem dependeu, de nós, apesar dos nossos erros. Por isso, deve agir-se em três frentes: nacional, europeia e internacionalmente. Os países têm governos mas já não existe “a” governação nacional ou “a” política nacional. Admitir que a política não é dos políticos, que ela depende de cidadãos activos e as políticas reflectem a qualidade da cidadania e da política, é dar primeiros passos para a acção curativa concertada que o país precisa.

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Mercy, Mercy, Mercy

por Margarida Bentes Penedo, em 28.09.12

 

"You know, sometimes we're not prepared for adversity. When it happens, sometimes we're caught short. We don't know exactly how to handle it when it comes up. Sometimes we don't know just what to do when adversity takes over. And I have advice for all of us. I got it from my pianist Joe Zawinul, who wrote this tune. And it sounds like what you're supposed to say when you have that kind of problem. It's called "Mercy, Mercy, Mercy".

 

(Julian Cannonball Adderley)

 

 

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O tripé de duas pernas

por José Meireles Graça, em 28.09.12

Sou um fiel da Quadratura do Círculo. A fórmula do programa é eficaz: um tipo do CDS, outro do PS, outro do PSD; a actualidade política; cordialidade, senão cumplicidade, no trato; um moderador que não dá nas vistas; e categoria dos residentes. A simplicidade e transparência do formato e o perfil dos senadores da opinião, ontem e agora, explicam a longevidade. Se o programa tivesse a pretensão de ter comentadores "independentes"; ou quisesse ter lá todo o espectro partidário, com um comunista a debitar as teses do Congresso e as directivas do Comité Central, ou um bloquista a espumar baba e ranho contra os ricos - o tédio escorria pelas paredes e o programa finava-se pela insignificância do share.

 

Mas com a actual maioria o tripé perdeu uma perna: Costa reclina-se satisfeito na cadeira enquanto Pacheco vai metodicamente demolindo o Governo, constituído, parece, por gente que quando não é completamente impreparada é desesperantemente idiota. Nada, absolutamente nada, se aproveita.

 

Isto provoca mal-estar, porque mina a convenção implícita do programa: ninguém está ali por seguidismo acrítico, passe a redundância, mas aquela gente tem, é suposta ter, e não nos incomoda que tenha, porque isso é assumido, simpatias partidárias. A gente filtra, porque a gente não semos burros.

 

Costa sabemos que tem ambições políticas, debita o mantra do PS em matéria económica, e acha previsivelmente este governo um desastre, por estar sob diktat estrangeiro e ter maus resultados, do mesmo modo que achava o anterior excelente por os resultados serem péssimos, mas por culpa do estrangeiro. Lobo Xavier é do CDS, a eterna e teimosa minoria cravada na garganta da desejada hegemonia do PSD. E Pacheco Pereira, hoje, é de onde?

 

Pacheco é da Marmeleira, onde vive. E nesse pacato refúgio congemina há anos análises profundas e teses subtis, a benefício da liderança do seu partido de há muito, que lhe emprestava um ouvido atento e deferente. E é aqui que bate o ponto, agora: ninguém lhe liga.

 

Eu acho isto muito mal, estragaram-me o programa. E por isso peço, desta modesta tribuna: ouçam, no PSD e no Governo, Pacheco! Que ele não precisa propriamente de lugares, precisa é de ter acesso a ouvidos poderosos. E os conselhos que pode prodigalizar em matéria de tática política são preciosos, desde que quem os receba tenha a precaução de fazer o oposto do que ele recomendar.

 

Assim é que não dá: ou Pacheco Pereira é nomedo para qualquer coisa, ou cai o Governo, ou eu mudo-me para a TVI 24. Tomem nota.

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Já que estamos no «Senatus»...

por João Lamy da Fontoura, em 28.09.12

...que o Senatus era coisa de romanos e que romanos também nós fomos (e ainda somos?), este é o local adequado para lembrar que «Galerias romanas da Rua da Prata abrem a visitas por três dias». Este ano, entre 28 e 30 de setembro. Porque, para ver o que resta do Império, não é preciso desencantar calhamaços de Direito nem ir a Roma. Afinal, à volta do Mediterrâneo há sempre uma ruína romana à espreita. Algumas delas bem perto - neste caso, por baixo - de onde andamos todos os dias.

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Este País Não é Para Doentes

por Joaquim Pedro Lampreia, em 28.09.12

Qual é a ligação entre o "racionamento" dos cuidados de saúde e o lixo tóxico? Esta pequena e deliciosa história ocorrida em 1991: o economista principal do Banco Mundial subscreveu um memorando onde se discutia o mérito de enviar o lixo tóxico e cancerígeno dos países ricos para os pobres, a troco de dinheiro.

 

Segundo este memo, o custo /benefício para todos era excelente: a perigosidade do lixo tóxico mede-se a médio e longo prazo e por isso não importava para os pobres, visto que a esperança média de vida nesses lugares é muito baixa. Assim, os países pobres podiam utilizar o dinheiro para melhorar o seu sistema de saúde, enquanto que a maior parte da população que poderia desenvolver cancro não seria realmente afetada, pois provavelmente morreria cedo de mais para isso.

 

O facto deste economista ser a famigerado Larry Summers, um dos vilões-em-chefe da crise financeira de 2008, não vem para o caso (ou melhor, daria só por si um novo post). O que é interessante verificar é a forma como esta história demonstra o total absurdo da ética utilitarista de Bentham e Mill. Infelizmente, é esta ética que nos serve de guia atualmente (a desadequação dos nossos atuais modelos cognitivos, seja na economia, na cultura ou na moral, dava matéria para mais 30 posts).

 

Ora, é precisamente sobre esta lógica utilitarista que o parecer do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida se funda (isto está escrito no próprio parecer).

 

Ao contrário das críticas que lhe têm sido feitas, este parecer é bastante habilidoso. O facto de usar a palavra "racionar" para descrever o que se deve fazer ao tratamento do HIV e do cancro não é um engano. Não há aqui uma troca por lapso com a palavra "racionalizar", também empregue no parecer. O "racionamento" vem do "health care rationing" e é objeto de estudo há já algum tempo. Por outro lado, e para além desta palavra, o parecer aparentemente salienta apenas algumas banalidades decorrentes do senso comum (a saúde é cara, é necessário avaliar criticamente o custo/benefício dos diferentes tratamentos disponíveis e a prova científica, etc).

 

O parecer refere também que o racionamento implícito já existe atualmente. E de facto é verdade. Nenhum médico no seu perfeito juízo gasta um milhão de euros a tratar um doente terminal se esse tratamento apenas proporcionar dois dias de vida extra ao doente.

 

Qual é então o problema deste parecer?

 

Será talvez de desconfiar de um parecer sobre o tratamento do VIH e do cancro que nunca (mas mesmo nunca) refira estas doenças exceto na introdução. Lendo com atenção, este documento mais parece referir-se ao uso de pomadas e gel contra o pé-de-atleta. Começa-se a perceber por aqui que algo não vai bem no raciocínio do CNECV. E o que não vai bem é isto: há algo de muito imoral quando juntamos a referência a uma brutal redução de custos (mencionada no parecer) com a palavra "racionamento" e as expressões "doentes do VIH" ou "cancro". De facto, mais vale fingir que estamos a falar dos cuidados de saúde em abstrato ou de pé-de-atleta.

 

Depois há o óbvio: se o tal racionamento já existe implicitamente, porquê discuti-lo agora desta forma? Aqui vem outra habilidade: o parecer diz que é para trazê-lo ao debate público, porque somos uma democracia. Contra isto não se pode argumentar, não é? O nosso ethos não permite que alguém ponha em causa estes princípios, não é? Errado. Tal como a análise do custo/benefício de enviar o lixo cancerígeno para os países pobres demonstra, há certas matérias que não podem nem devem ser discutidas em sociedade. É imoral. É mau. Se o médico faz racionamento implícito, tanto basta. Ele saberá. E se gastar 1 milhão num tratamento que apenas prolonga a vida por dois dias, ele que seja responsabilizado por essa opção.

 

Há certos casos em que a nossa intuição (que nos diz “isto é imoral”) funciona mais acertadamente do que a nossa razão (que nos poderia dizer que se deve trazer todos os assuntos para a praça pública).

 

Como seria de esperar, os nossos Larry Summers caseiros não percebem isto (basta ler aqui). Não percebem isto e não percebem nada.

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Abaixo a reacção

por José Meireles Graça, em 27.09.12

"Em relação à Fundação Nadir Afonso, a responsável, Laura Afonso, disse, também à agência Lusa, que não chegou a ser avaliada “porque nunca recebeu apoios públicos. “O dinheiro investido no empreendimento para a sede vem do município [de Chaves], mas através de fundos comunitários", sustentou Laura Afonso sobre o projecto, que ascende a nove milhões de euros de investimento."

 

Não sei, nem tenho que saber, absolutamente nada sobre Laura Afonso, mas não me custa admitir que seja uma excelente pessoa a todos os títulos. Mas tem a noção discutível de que o Município de Chaves não é público, e que os fundos comunitários são gerados espontâneamente num lugar mítico, possivelmente os céus por cima de Bruxelas.

 

Sucede que o Município de Chaves gera as suas receitas com a produção de alvarás de licença, destinados a uma clientela cativa, e com transferências de impostos; e as instâncias europeias, essas, têm uma punçãozinha no IVA, da qual se fala pouco.

 

Estas receitas são públicas e bem públicas, Afonso que me desculpe. E como votei no Governo que está para, entre outras coisas, acabar com o imenso espatifar do meu dinheiro; e como nesse particular tenho tido muitas desilusões, não me levará a mal que eu veja com bons olhos este tímido esforço para acabar com a rebaldaria, e com maus as reacções.

 

Mas agora que desabafei com Laura, que se terá exprimido mal, ou será ingénua, já não posso dar o benefício da dúvida ao sátrapa da Madeira. Olha, Bertinho, há décadas que fazes o mesmo negócio dúbio: compras votos com benefícios para os teus eleitores, e divides as contas entre eles e os outros, que são os do contenente.

 

Insistes que o contenente não tem nada a dizer. Eu acho que tem. E espero que, desta vez, os cubanos de Lesboa não se deixem impressionar com o teu cansado número de tigre de papel.

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Nutrixibicionismos

por José Meireles Graça, em 26.09.12

Quem tiver tendência para colesterol alto não devia comer mais de um ovo por semana, mas agora já pode.

 

O azeite, as sardinhas e outros peixes gordos eram horríveis para a saúde, até ao dia em que, felizmente, tudo isso passou a ser excelente para a saúde.

 

A carne de porco, objecto de tantos interditos religiosos, tinha uma tendência excessivamente marcada para favorecer o entupimento das artérias, perigosa inclinação que, parece, não se confirma.

 

É seguro que o fígado tem muito ferro, e por isso deve-se comer fígado - ajuda a evitar anemias; e as cenouras, oh, as benfazejas cenouras têm caroteno e ninguém contesta os benefícios do caroteno. E a fruta? Ah, a fruta, se consumida regularmente, em particular a maçã com casca, é um temível inimigo dos radicais livres; e qualquer um com prisão de ventre pode confirmar que um humilde kiwi, se consumido ao pequeno-almoço, obra (é o caso de dizer) milagres.

 

Sei estas e outras maravalhas por causa de conversas à mesa: coma, coma aí os brócolos, que têm muito cálcio; quer lentilhas? Olhe que têm muitas fibras, altamente benéficas para o trânsito intestinal.

 

Digamo-lo tristemente: a ciência médica, na variedade de nutricionismo, não descobriu ainda antídoto para doenças do entendimento que afectem particularmente os quadrúpedes, não obstante nem ser preciso sair da especialidade para encontrar um ror de pacientes.

 

Bom, mas ser magro é bom e gordo é mau, não é verdade? É que as estatíscas, está provado, e é pacífico, ninguém discute, ora não se está mesmo a ver...?

 

Não.

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Conto do orçamento "luso-fusco"

por Ana Rita Bessa, em 26.09.12

Abriu oficialmente a época do "Orçamento 2013". Abriu para o Estado e, já agora, também para as empresas com ano fiscal igual ao ano civil.


Para o Estado, o exercício de maximização do bem estar social (sim, deve ser essa a função-objetivo do Estado) está sujeita a inúmeras restrições de dificil conciliação - de financiamento, de défice, de troyka, de banca, de equidade, de crescimento, de subsidariedade, de coesão, de contestação, de oposição...É claramente uma equação difícil de resolver e, seguramente, de resolver de forma simples e sem "dor" para todos. E todos, à vez ou em grupo, contestarão.
Mas a verdade é que as escolhas a fazer serão cada vez menos entre um "mal" e um "bem", mas muito mais complexas e complicadas do que isso. Por exemplo, preferimos: menos impostos ou menos "saúde"? Ou mais impostos e menos hospitais e manutenção de empregos no Estado?...

 

Sobre a quase-impossibilidade deste exercício, tenho-me lembrado de um conto popular que dizia assim:

"(dirigia-se o rei ao pai de uma menina que se achava esperta)

- A tua filha acha-se muito esperta...pois hás-de dizer-lhe que quero que ela venha cá para a conhecer. Mas nota bem: ela que não venha nem de noite nem de dia, nem vestida nem despida, nem calçada nem descalça, nem a pé nem a cavalo. Senão, vou matar-te".

 

 

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"Aqui importa-se tudo. Leis, ideias, filosofias, teorias, assuntos, estéticas, ciências, estilo, modas, maneiras, pilhérias, tudo vem em caixotes pelo paquete. A civilização custa-nos caríssimo, com os direitos de Alfândega: e é em segunda mão, não foi feita para nós, fica-nos curta nas mangas..."
Eça de Queiroz, in Os Maias




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