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Medo

por Diogo Duarte Campos, em 29.02.12

Tende muito medo.

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A gaforina de Jesus

por José Meireles Graça, em 29.02.12

Não lobrigo razões para  infirmar a tese, se não fosse pela referência ao cabelo  "maravilhoso" de Jorge Jesus.


É que, ainda que o tema seja a existência de Deus e por isso a invocação de Jesus não seja um despropósito, a descrição daquela gaforina como "maravilhosa" lança sérias dúvidas sobre a pertinência dos outros argumentos.

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As quatro desonestidades

por José Meireles Graça, em 29.02.12

Ninguém, nesta história da austeridade versus crescimento, é inteiramente honesto.


A austeridade diminui o consumo e a diminuição do consumo diminui o PIB e as receitas fiscais, mesmo que com agravamento da carga fiscal nominal.


Diminuindo as receitas fiscais, a dívida pública percentual aumenta, tornando-se insuficientes os cortes na despesa pública; novos cortes, por sua vez, diminuem o consumo, que diminui etc. etc.


Toda a gente entende isto. E face ao espectáculo deprimente da Grécia que se afunda a cada mês, com "apoios" e cortes que alimentam esta máquina infernal, boa parte dos apoiantes do Governo (este escriba incluído) tem este pesadelo por trás das declarações convictas da justeza do nosso caminho.


Esta a primeira desonestidade: fingimos que não temos dúvidas.


No reajustamento em curso, muitos dos apoiantes do Governo (este escriba incluído) dizem para si que, mesmo que a estratégia não resulte, a reforma do Estado ficará sempre como adquirida, sendo ela necessária, como é, qualquer que seja a solução. Mas isto não é claramente assumido - e esta é a segunda desonestidade.


A esquerda comunista (incluindo a menchevique que o BE julga não ser) esfrega as mãos: nos tempos negros da miséria e depressão pode nascer a flor da Revolução no entulho. Essa flor nunca nasceu, nem pode, num ambiente económico estável e sob um regime democrático.

A receita do "não pagamos" (Islândia nihil obstat, os nossos bancos endividaram-se para além do razoável com crédito ao Estado, à habitação e ao consumo, não principalmente com especulação) não é uma alternativa inteligente para a gestão do capitalismo, é a criação de condições permanentes de autarcia económica nas quais soluções autoritárias e radicais anti-capitalistas poderiam ver a luz do dia. Mas isto os Jerónimos e Louçãs não dizem: queremos melhorar a UE, a economia e o sistema capitalista a pontos de, quando estiverem perfeitos, terem desaparecido. E esta é a terceira desonestidade.


A esquerda social-democrata não ousa renegar o MoU, mas finge acreditar (ou, nos casos mais graves, acredita mesmo) que é possível cumprir o Programa que assinou e ao mesmo tempo garantir um módico de crescimento, via despesa pública. E esta é a quarta desonestidade. A mais patética, de tão transparente, mas nem sempre o ridículo tira votos.


Não tenho nem terei responsabilidades políticas, a opinião dos meus concidadãos não condiciona a minha, o que escrevo não atrasa nem adianta a vida de ninguém, se estiver enganado não é a primeira vez, mas honesto gosto de ser: e por isso não escondo que acho que, sem o fim do Euro, pelo menos para os países do Sul, nada se resolverá de permanente.


Chamem-me, se quiserem, o Bruxo de Fafe.

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Razões profissionais.

por Ana Rita Bessa, em 29.02.12

Hoje não vou trabalhar por razões profissionais.*

Tenho, inclusive em minha posse, fundamentação científica que me garante que, caso vá trabalhar,  e tendo em conta que o meu dia é povoado por inúmeras reuniões, não só não vou ficar mais inteligente como vou mesmo baixar o meu Q.I.

É isto que dá ler os jornais de manhã. Sozinha, claro, provocando um pico de inteligência.

 

 

*RAP dixit.

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O tempo bão

por José Meireles Graça, em 28.02.12

"Todos compreendemos agora que a união monetária e a união orçamental são duas faces da mesma moeda e a última foi esquecida quando a nossa moeda foi lançada."


Zé Manel, tu não tá a ver bem a coisa, garoto: tu já se esqueceu dos sete referendo que deram uma nega lá a essa coisa de tu, a Europa e assim. E tu quer fingir que o povão não vai topar a arola dos teus compincha?


Acabado lá os mandato, tu pega na indenização e dá o fora, o tempo aqui está bão. Se tu não pode passar sem política, os discurso e essas mordomia, vai lá pró Portugal pra ser Presidente. Eles é gente que gosta de ser engrupida, tu leva chance.


Mas não se esquece: o tempo aqui está bão.

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Quebrar os défices energético e alimentar

por Ruben Eiras, em 28.02.12

Se Portugal não tomar iniciativas de fundo para solucionar o «défice duplo» energético e alimentar, a sua competitividade será sempre demasiado vulnerável aos futuros choques geopolíticos que surgirão nestas duas fontes de recursos-base da vida.

 

Com efeito, a excessiva dependência externa no acesso a energia e a alimentos tem já impacto imediato nas contas (por exemplo, as importações energéticas representam cerca de metade do défice externo). Portanto, explorar as capacidades do país ao máximo para a substituição de importações, competitiva, nestas áreas, aumentando a segurança energética e alimentar, é crucial.

 

Por isso, no campo da energia, é de louvar a iniciativa do Governo no aval à exploração de gás natural no Algarve. Mas já é menos apreciável a diabolização excessiva que vem sendo realizada acerca das renováveis, sobretudo da eólica. Certamente será necessário rever alguns contratos de aquisição, mas é preciso ter em conta que as renováveis são só substituem importações de eletricidade, como também são uma fonte exportadora de serviços e bens de valor acrescentado.

 

E no campo alimentar, o Governo não pode ficar à espera do «milagre da chuva». Mas também tem de se afastar das abordagens tradicionais. É positiva a iniciativa do Banco de Terras. Mas a agricultura portuguesa precisa de mais. O Governo deveria promover protocolos de cooperação científica e tecnológica com Israel e Brasil neste domínio. Isto porque estes dois países operaram duas verdadeiras revoluções na produtividade agrícola em terrenos inóspitos: Israel no deserto e o Brasil no Serrado. 

 

Quem governa não pode agir só para o imediato, mas tem de lançar as sementes para um futuro mais próspero.

 

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Ide avisar todos

por Diogo Duarte Campos, em 27.02.12

Quando o meu filho mais novo tiver namoradas, quando deixar de poder ser jovem agricultor, quando acabar o meu Doutoramento, por essa altura, Beja deverá gerar tráfego.

Óptimas notícias.

 

Bem sei que sou adepto do always look on the bright side of life, mas isto é fazerem-nos tolos.

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Elegia à ignorância

por José Meireles Graça, em 27.02.12

Henrique Raposo não diz, mas digo eu, que se a cidade mais a Sul de Portugal fosse Coimbra boa parte dos nossos problemas, a começar pela dívida externa, estariam a caminho de desaparecer.


E o segredo mora no trabalho, na criatividade e na imaginação de uma colecção de inapresentáveis grunhos, incapazes pela maior parte de articular convincentemente as razões do seu próprio sucesso, falhos de diplomas e de teorias profundas, distantes de Lisboa, das elites que pensam, dos que comem à mesa do Orçamento, dos monopólios e dos oligopólios.


Se andassem atentos, papagueariam e ouviriam coisas como estas:


"Ou Portugal muda o seu modelo de desenvolvimento, apostando na inovação, na ciência e nas tecnologias do futuro, ou nunca sairá da cepa torta"; "Como aconteceu em Oulu e um pouco em toda a Finlândia, o futuro de sucesso está na existência de sólidas ligações entre as universidades e as empresas".


"Portugal não planeia, sendo por isso um país sem futuro e que serve de alavancagem para que países como a China entrem no mundo".


"... assinala ainda o que considera ser alguma falta de empenho dos empresários no sentido de exportar mais".


Apostas no futuro, desafios assim e assado, planificações, modelos de desenvolvimento, ligações entre isto e aquilo, alavancagens, Presidentes à míngua de dizer coisas, empresários do discurso desenvolvimentista à sombra do Estado, e visionários com ideias argutas sobre a melhor forma de gastar o dinheiro do contribuinte - temos há décadas.


Agora que o dinheiro dos outros acabou, e o nosso também, talvez esteja aberta (como é que eles dizem?), ah, uma janela de oportunidade.


Isto se, e apenas se, os nossos dirigentes forem um pouco básicos, bastante teimosos e de ideias fixas; ou se a realidade fizer as escolhas por eles. Será?

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A esquerda chic

por José Meireles Graça, em 26.02.12

Aos fins-de-semana o bruaá da blogosfera serena: a mesma paz, ou assim me parece, que reinou na terça-feira de Carnaval e que levou a que os Centros de Saúde, abertos por decisão governamental, ficassem desertos.


Não sou um desses bloggers preguiçosos - o fim-de-semana é apenas mais aborrecido que os dias úteis e, às horas do costume, vou aos sítios do costume. Hoje, tropecei por acaso nesta entrevista de há dias, e pasmei: Maria Filomena Mónica passa por ser uma intelectual iconoclasta, original no pensamento e nas obras, um tanto informal na linguagem e charmosa na imagem.


Dela li o "Bilhete de Identidade" in illo tempore e retive, por junto, a atmosfera, razoavelmente captada, de um certo meio lisboeta no ambiente sufocante da Velha Senhora, umas indiscrições, que se apresentavam como sendo vulgares na memorialística anglo-saxónica e raras no nosso acanhado meio, e um impressionante desprezo pelo Pai, uma sombra que perpassa no livro como um looser que deixou de cumprir a sua essencial função de propiciador de meios para a heroína da obra, tudo embrulhado num Português, digamos assim, esforçado.


Pois esta Senhora diz coisas espantosas, cada uma delas merecedora de um post autónomo que não vou fazer, todas à luz do "eu" recorrente com que começa muitas frases, e que se resumem no seguinte:


Devia ter nascido num país do Norte da Europa, onde as suas excelsas qualidades se casariam melhor com as culturas locais. Aqui entre nós está manifestamente deslocada, e, entre outras razões, concede-nos o benefício da sua presença por não desistir de nos melhorar e gostar do sol de Lisboa e da água das Pedras.


Exagero? Fazem favor de conferir:


"Mas a maneira de olhar o mundo, ou o pouco saber que eu adquiri, adquiri em Inglaterra."


"Em Portugal não há debate político. Eu não percebo nada do que eles estão a dizer. E eu não sou totalmente analfabeta...! Eles falam em códigos cifrados, para nós que estamos cá fora não percebermos."

 

"A BBC exigia que nós trabalhássemos sobre o nosso país, para bem e para mal, eu acho que para mal. Eu podia ter escrito uma História da Suécia, em vez de estar para ali a ler Portugal dos anos 30 e Salazar. Portanto Portugal não interessava a ninguém."


"A Alemanha é um país com uma capacidade de organização absolutamente espantosa."


"Eu estive em Berlim-Leste em 1980. Nunca fui comunista, mas tinha curiosidade, e fiquei estarrecida. Eu nem consegui ficar lá o dia inteiro. Eu até queria ir à ópera, e a ópera de Berlim-Leste provavelmente era óptima: mas pareceu-me tudo purpurina e uns bairros horrendos, e por isso vim-me logo embora."


"Que eles venham a dominar a Europa, eu não gostava. Se eu não gosto que mandem em mim, as autoridades do meu país, também não gosto que outro país, e é por isso que a Europa ainda não é Europa, determine o destino do meu país."


"A classe média vai viver pior, mas isso não me preocupa."

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A terra a quem a trabalha...

por João Monge de Gouveia, em 26.02.12

Parece que vai haver uma nova reforma agrária

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"Aqui importa-se tudo. Leis, ideias, filosofias, teorias, assuntos, estéticas, ciências, estilo, modas, maneiras, pilhérias, tudo vem em caixotes pelo paquete. A civilização custa-nos caríssimo, com os direitos de Alfândega: e é em segunda mão, não foi feita para nós, fica-nos curta nas mangas..."
Eça de Queiroz, in Os Maias




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