Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



2012, Odisseia no Espaço

por José Meireles Graça, em 31.12.11

Quase nenhum especialista conhecido adivinhou, nos E.U.A. ou no Mundo, a crise do sub-prime, salvo Roubini - que não era conhecido por aí além.


Tirando Ferreira do Amaral e Pedro Arroja, quase nenhum especialista conhecido adivinhou a crise do Euro em Portugal ou na Europa. Pior: quase nenhum especialista vê a inviabilidade do Euro, mesmo tendo-a debaixo do nariz.


O Euro, para quem não estiver cego pelo desejo de uma Europa impossível, será vítima do seu insucesso, em cuja antecâmara estamos, ou do seu sucesso, caso as burocracias europeias (incluindo as suas delegações nos Terreiros do Paço dos 27 e o "Parlamento" europeu) imponham a fuga para a frente que os Estados Unidos da Europa seriam.


Não dessem os gurus da Economia, da Sociologia, da Economia Política, da Gestão, da História, e do diabo que os carregue a todos, tantas e tão consistentes provas de as suas previsões em nada serem mais lúcidas do que as do Professor Zandinga, e um paisano como eu não se atreveria a andar pelos caminhos da adivinhação.


Mas prever o futuro é uma tentação tão velha como os humanos. É por isso, e por estar na ilustre companhia de tantos asneirentos, que adianto:


2012 será o ano da implosão ou da explosão do Euro; em alternativa, o ano em que os E.U.E. nascerão, com isso lançando as bases para o esfacelamento definitivo de qualquer projecto europeu viável.


Será também o ano em que as previsões aterradoras sobre Portugal não se confirmarão: agora que a China meteu o pé numa porta podre da periclitante fortaleza Europa, haverá, com vagar, de querer meter um joelho, e depois um ombro, a ver se cabe o corpo todo. Os guardiães da porta serão recompensados - e de recompensas vindas de fora da Europa temos uma longa prática.


Depois, o Governo da necessidade e dos loiros patrões nórdicos alguma ordem há-de pôr na piolheira (designação consagrada, salvo erro, pelo Senhor Rei D. Carlos), antes de a dívida ser reescalonada.


Haja fé.


P.S.: Apenas faço previsões a benefício da comunidade. Para as pessoas que lêem o blogue, limito-me a formular desejos - os de que passem pelo meio dos pingos da chuva. 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

Feliz Ano Novo!

por Nuno Santos Silva, em 31.12.11

Esperemos 2012 com um taco de baseball nas mãos: se ele for tão mau como dizem, espancamo-lo sem piedade!
Feliz Ano Novo!!!

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

Música do Ano

por Nuno Santos Silva, em 31.12.11

Que dizer? 2011 foi o ano em que nos recitaram o mantra de que "vivemos acima das nossas possibilidades", "temos de empobrecer muito e rapidamente", e que tudo foi "culpa nossa".

Depressivo, não é?

Daí a música que escolhemos para retratar 2011:

"Quando estás triste e estás só, e não tens qualquer amigo, lembra-te: a morte não é o fim.

Quando tudo o que tomaste por sagrado desaba e não tem conserto, lembra-te: a morte não é o fim"

Senhoras e senhores, eis a música que cai que nem uma luva em 2011: "Death is not the end", Nick Cave.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Um desejo chamado eléctrico

por Nuno Santos Silva, em 31.12.11

Aqui fica um artigo que saiu hoje no Público, de que sou um dos subscritores:

 

UM DESEJO CHAMADO ELÉCTRICO

 

Um erro estratégico. Não temos outra forma de qualificar a decisão que, se vier a ser tomada, implicará consequências graves para a cidade: a extinção da carreira de eléctrico E-18, que faz a ligação entre a Baixa e a Ajuda.

E, como não seria a primeira vez, no que respeita às carreiras de eléctricos, que se decidiria pela extinção de percursos que hoje se mostram importantes ou mesmo imprescindíveis, e como podemos estar a assistir ao fim definitivo daquilo que já foi uma verdadeira rede de transporte colectivo, equilibrada e abrangente, exporemos de seguida, por “A+B”, o erro estratégico em que se incorrerá.

“A”. Uma decisão destas será tomada em contraciclo.

Não são hoje os transportes públicos não poluentes, ou quase, um must em termos de economia desejavelmente sustentável? Num país que não consegue cumprir os mínimos no que toca à Agenda 21? Um desiderato das economias dos países civilizados, com as quais Portugal se gosta de comparar? Fará sentido extinguir-se uma carreira de eléctrico, promovendo inelutavelmente o caos automóvel da cidade e em consequência a ineficiência do autocarro? Fará sentido extinguir-se uma carreira que liga a uma zona sempre ignorada pelo metropolitano de Lisboa?

Um dos argumentos próextinção do E-18 terá sido o de que há autocarros que fazem ou farão o mesmo percurso que aquele eléctrico faz, e que, portanto, quem o frequenta passará a frequentar o autocarro. Sem problema, ponto.

Ora este argumento é falacioso: em primeiro lugar, há relatórios internacionais que demonstram que o passageiro-tipo do metro não é o mesmo que utiliza transportes à superfície, pelo que não há redundância. Em segundo lugar, se assim não fosse, já se teriam encerrado carreiras de autocarro que passam pelas avenidas servidas pelo metro e, em terceiro lugar, com as características dos arruamentos em causa, um autocarro dificilmente será tão eficaz e eficiente quanto um eléctrico.
Ignorou-se – e pelos vistos continua a ignorar-se – o que tínhamos de bom e encerraram-se linhas e mais linhas de eléctrico.

Curiosamente, e uma vez chegados à inevitável insustentabilidade do primado do automóvel sobre tudo o que mexe, desde logo sobre o peão, o lisboeta é bombardeado em cada véspera de eleições autárquicas com um abrangente pacto de promessas sobre mobilidade sustentável do qual faz parte, como é da praxe, o “anúncio” da criação de um sem- número de linhas de… eléctrico, muitas delas decalcadas de linhas encerradas nas últimas décadas.

“B”. Do ponto de vista da Economia, propositadamente com “E”, não estará a tal recomendação que aponta para a extinção do E-18 manca, porque falha de externalidades positivas? Não é o eléctrico um símbolo de Lisboa? Não vai o E-18 da Baixa à Ajuda, percorrendo assim um eixo vital do ponto de vista turístico, que culmina no tão apregoado vector estratégico BelémAjuda, e para o qual, e bem, se pretende desenvolver uma série de investimentos de reabilitação urbana, recuperação e valorização de espaços e percursos ( jardins das Damas e Botânico, loteamento a sul do Palácio da Ajuda, Teatro Camões, pólo universitário)?

Em “economicês”, portanto, o E-18 garante uma série de externalidades positivas importantes que duvidamos que os autocarros garantam, pelo contrário!

Em conclusão, o fecho do E-18 (tal como a não reabertura – designadamente – do E-24, do Cais do Sodré-carmo/campolide), numa cidade em que a mobilidade é um exemplo de puro casuísmo, representa não só uma decisão em contraciclo, afastando-nos dos países mais avançados, como uma oportunidade perdida de, face à crise que atravessamos, fazer dela uma “janela de oportunidade” para dar um salto em frente na suavização da mobilidade, no combate ao estacionamento selvagem e nas ligações entre os bairros da cidade.

Por fim, uma atenção desassombrada à iniciativa privada permitiria a partilha de recursos e a diversificação de soluções no que toca à exploração das carreiras. Cruze-se isso com o turismo e com a cultura, e talvez seja mais fácil e saudável viver em Lisboa.

Estamos ainda a tempo de evitar um erro estratégico. Basta que haja a coragem de tomar a decisão certa: a da manutenção deste eléctrico que a cidade deseja.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

Música da semana

por Nuno Santos Silva, em 30.12.11

É difícil fugir aos temas asiáticos esta semana. Da EDP à Coreia do Norte, há muita música por onde escolher.

No entanto, não podemos fugir ao impacto, estranho mas forte, que as imagens da comoção norte-coreana pela morte de Kim-Jong-Il produziram em todos nós. Embuste? Lavagem cerebral? Histeria Colectiva?

Não saberemos enquanto a Dinastia Kim e os senhrores feudais do Partido Comunista Norte-Coreano reinarem do outro lado do paralelo 38.

Senhoras e senhores, convosco Rebekah del Rio, num fabuloso "llorando", no filme de David Lynch (não é só a Coreia do Norte que é esquisita):

Autoria e outros dados (tags, etc)

Legislação Laboral

por Marcos Teotónio Pereira, em 30.12.11

Qual é a justa remuneração do trabalho:

 

é aquela que é proporcional ao esforço?

é aquela que é proporcional ao valor do que se faz com o trabalho?

é aquela que permite viver condignamente?

é aquela que é proporcional à qualidade do trabalho? 

é aquela que o empregador pode pagar?

é aquela que o trabalhador está disposto a aceitar?

 

A resposta a esta pergunta é que define grande parte das políticas económicas de um País (e não vale responder "é uma mistura de todas").

Autoria e outros dados (tags, etc)

Passem das palavras aos actos

por João Monge de Gouveia, em 30.12.11

Espero que não se fiquem só pelas palavras e que passem à acção, arrendar imóveis para fazer tribunais foi uma péssima ideia que nos custou muito dinheiro, aida aguardo que os responsáveis sejam levados a Tribunal, mas dos novos.

 

 

Fernando Santo admite que algumas das empresas candidatas poderão vir a pedir indemnizações por eventuais prejuízos, mas explica que o Governo não podia avançar com estes projectos, que só em rendas custariam mais de 15 milhões de euros por ano ao Estado. "Era um modelo que obrigava o Estado a gastar muito dinheiro em rendas, indefinidamente, sem nunca ficar com a propriedade do bem. Vamos mudar totalmente esta política", sublinha o governante.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Nó na garganta

por Nuno Santos Silva, em 30.12.11

Caput. A EDP foi nacionalizada. Pela China.

Autoria e outros dados (tags, etc)

E se fossem encher-se de moscas? (II)

por Nuno Santos Silva, em 30.12.11

Assunção Esteves explicou que a Assembleia da República suspendeu a actividade entre 22 de Dezembro e 3 de Janeiro para "compensar o tempo que não teve no Verão".

Terá Assunção Esteves esquecido que os deputados tomaram posse no fim de Junho?

Definitivamente, esta pensionista-aos-42-anos-de-idade-depois-de-10-anos-como-juiz-constitucional-função-que-assumiu-aos-32-aninhos-sabe-se-lá-como é mesmo melhor que o outro senhor da AMI de que agora não me recordo o nome?

Autoria e outros dados (tags, etc)

Rumo à salvação

por Margarida Bentes Penedo, em 29.12.11

 

 

Há comportamentos que decorrem dos elevados índices de testosterona. Um deles acontece sempre que se torna necessário arrumar muitos volumes na mala do carro. Imaginemos a Angela e o Nicolas. Pertencem a uma ONG, e estiveram em Lisboa a passar uma temporada. Conhecendo as dificuldades que o país atravessa, confiando no elevado potencial dos portugueses, e imbuídos que estão de um elevado espírito humanista, num acto de solidariedade resolvem arrancar numa viagem para salvar a Europa.

 

A Ângela é uma pessoa despachada pelo que, para evitar altercações com base no "quero saír daqui às três da tarde, vê lá se estás despachada, já sei que te vais atrasar", adiantou-se e desceu às duas e meia. Munida das chaves do Renault, carregou tudo sozinha e conseguiu enfiar duas malas com rodinhas cheias de processos judiciais no limite do prazo, dois portáteis com ligação ao facebook repletos de comunicações do Palácio de Belém, um saco desportivo, uma gaiola com dois linces da Serra da Malcata, uma caixa com seis garrafas de vinho da Madeira martelado, uma geladeira, um cobertor de papa e outro de flanela, uma colcha de terylene, um saco de plástico com um par de galochas, um tupperware com carne assada, outro com meloa cortada aos cubos, outro com um resto de arroz de berbigão, e outro cheio de impressos para meter baixa por doença, um estojo com uma máquina fotográfica reflex, outro com adereços, outro com estudos de impacte ambiental para impedir a construção de mais uma barragem, e um quarto, mais alongado, com um tripé, um casaco de malha com os cotovelos puídos, um chapéu de gabardine, um guarda chuva, duas latas de manifestos em calda, um trapo húmido para ir limpando o balcão dos cafés onde tivessem que parar para comer, e um aquecedor a gás, com a respectiva bilha, na bagageira do automóvel. Não cabia lá nem mais um iPod com o discurso do Barrete no 10 de Junho. Satisfeita, sobe as escadas e diz ao Nicolas: "Amor, podes descer, está tudo pronto para arrancar".

 

O Nicolas levanta-se do sofá, pega no AutoMotor e num molho de chaves, desce e abeira-se do veículo, com um ar desconfiado. Profere: "Vamos lá ver". Abre a bagageira, sobe uma narina e observa: "Ná. Isto não pode ir assim". Despeja tudo e demora duas horas e meia para conseguir voltar a enfiar as coisas no Renault, pelo que arrancam finalmente pelas cinco e meia da tarde e vão de trombas pelo menos até alturas de Estremoz. É quando a Ângela comunica: "Ó passarinho, já comia qualquer coisa".

 

O Nicolas ouviu falar de um restaurante muito em conta em São Domingos de Ana Loura, e portanto encaminha-se para lá e jantam uma refeição frugal. À saída, o Nicola baralha-se com uma infinidade de rotundas, passa várias vezes na mesma, regressa à primeira, e à segunda, e depois à primeira outra vez, e não consegue encontrar o caminho porque há muitas tabuletas com indicações que conduzem sempre ao mesmo sítio. Mete-se então por uma estrada de terra batida e chega a uma barreira pintada de amarelo e encarnado, e um bocado de cartão que diz: "Desvio IP2/E802". E uma seta a apontar para o pavimento. Ao lado, sentados num bidon, está um grupo de comentadores políticos da televisão portuguesa. Pedir ajuda para encontrar o caminho é, como toda a gente sabe, outro comportamento pouco frequente em indivíduos com elevados índices de testosterona. Por isso o Nicolas adiou o mais possível. Mas, perante a cara ameaçadora da Ângela, não está para mais chatices. E o Nicolas, contra aquele que é o seu procedimento habitual, resolve pedir ajuda.

 

"Para salvar a Europa? Tem que voltar partrás! Mas agora não pode, ó amigo...! Olhe, faça assim: vá em frente. Conde chegar à rotunda, corte à esquerda. Depois siga até à bomba de gasolina. Está a ver o posto da GNR? Não é por aí. Continue sempre por ali abaixo. Antes de passar a igreja corte à sua direita, depois da farmácia. Mas é na segunda. Está a ver o Pingo Doce? Epá, não era por aí! Agora vai ter que dar uma granda volta! Olhe, o melhor é perguntar ao pé da Estação."

 

O Renault com a Angela e o Nicolas foi visto na terça-feira perto de São Brás de Alportel. Ontem consta que circulava nas rotundas de Fafe.

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Pág. 1/17



"Aqui importa-se tudo. Leis, ideias, filosofias, teorias, assuntos, estéticas, ciências, estilo, modas, maneiras, pilhérias, tudo vem em caixotes pelo paquete. A civilização custa-nos caríssimo, com os direitos de Alfândega: e é em segunda mão, não foi feita para nós, fica-nos curta nas mangas..."
Eça de Queiroz, in Os Maias




Comentários recentes

  • Swonkie

    Olá :) Enviamos um convite para o teu email. Caso ...

  • silva

    Como é possivel não cair! Se a corrupção que segun...

  • silva

    Como é possivel não cair! Se a corrupção que segun...

  • batidasfotograficas

    Para terem mais tempo para a família! Seria bom qu...

  • Tiago Sunzu

    Obrigado pelo seu comentário construtivo e com tan...




Arquivo

  1. 2016
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2015
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2014
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2013
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2012
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2011
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D






+18314 até 8.8.11 no Blogspot

subscrever feeds