Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Tropa de elite

por Nuno Cunha Rolo, em 30.09.11

Não sei se somos mais um país em que as pessoas sérias, para o serem, têm de fazer algo menos sério, porque assim é a percepcionada maioria influente e decisora da nossa sociedade do(s) poder(es), ou se somos um país em que a probabilidade de se encontrar uma pessoa ética e honesta é tão pequena, quanto a praticabilidade de alguém bem intencionado praticar o bem-comum. Sei que temos de tudo, mas pior que tudo é a quase imobilidade social e cívica nacional que promove a manutenção e prosperidade de elites bafientas e conservadoras, portanto contrárias à modernidade e prosperidade. Estou convencido que as relações de poder hoje são dominadas por uma pequena rede quase invisível de pessoas, as mesmas pessoas, onde se incluem grandes exemplos de cidadania, mas, creio, em minoria. Mas mais por razões de medo, do que por vontade e alma dos portugueses. A maioria domina, controla, condiciona a minoria activa e participativa, através de redes de contactos e relações de interdependência assente em favores, trade-offs, ilegalidades ou ilicitudes (i.e., não violam a lei, mas a “justiça dos homens”), chantagens, e em ligações de subordinação ou sobreposição de interesses individuais, pessoais, profissionais ou outros.

 

A par da universalizada falta de "inscrição" e de "afirmação" do comportamento português, seja a nível profissional, seja a nível pessoal, é absolutamente extraordinário como se mistura na vida política um bem escasso e maior com a prática menor e duvidosa em termos de ética e de legalidade. E tudo pode acontecer numa pessoa. Isaltino Morais, Valentim Loureiro, Alberto Jardim, Fátima Felgueiras podem ser bem provas disso. Entre a grande obra e o acto baixo tudo se pode misturar. Mas a grandeza política não está em ser um grande obreiro e pequeno salteador do erário público. A grandeza da política e dos políticos está em mostrar ao seu povo como ter uma civitas próspera, rigorosa com os dinheiros públicos e promotora da cidadania. Está na riqueza da sua acção e existência e não na abundância do usufruir à custa de outros ou do futuro. Porque não há políticas públicas grátis. A nível nacional e europeu. E como estamos a ver, estamos todos a pagar, ou melhor, a maior parte de nós.

 

Mas não nos iludamos: a falta de coragem está tanto nos políticos como nos cidadãos. Aliás, neste momento actual de maior exigência até mais nos cidadãos, porque quanto maior a tolerância (por exemplo votando neles), quanto maior a inacção dos cidadãos, quanto maior a acção cúmplice de quem preferia agir seriamente, maior será o poder dos instalados e o avanço daqueles que capturaram e pretendem capturar o Estado e os decisores políticos e partidários, a bem da sobrevivência dos seus interesses e da sua pequena elite.

 

Portugal pode estar a ser dominada por uma elite de interesse contrário ao desígnio público e nacional, independentemente da boa vontade de um primeiro-ministro ou dos bons ofícios e bem intencionada oposição, que pode não poder falar sob pena de a captura não ser maior, sob pena de não conseguir de tentar mudar um pouco a superstrutura. Isto é muito grave para a governação dos estados, isto é gravíssimo para a vida dos portugueses e a coesão nacional. Mas tenho a sensação que a maioria dos portugueses tem coloca o problema ao contrário, pousando o ónus de acção do lado dos políticos. Não está, porque os políticos antes de ser políticos são cidadãos. E nenhum político, nenhum trabalhador, nenhuma empresa sobreviverá em mérito, excelência, inovação e igualdade de oportunidades, à complacência, à omissão, à não-inscrição cívica e política do povo português. E a elite deseja a conservação do status quo e deseja a morte à nascença de quem os pode contrariar e deseja a queda eficaz de quem possui valores diferentes dos que nela são dominantes.

 

O país precisa tanto de elites, quanto de cidadãos de elite. É uma batalha que se trava em corrida contra o tempo, especialmente para os que pertencem às gerações de 60,70,80,90 e a dos nossos filhos, o futuro de Portugal. Portugal e os portugueses carecem de uma tropa de elite!

Autoria e outros dados (tags, etc)

Volta Valentim, estás perdoado

por José Meireles Graça, em 30.09.11

Há uns anos, o colorido Major Valentim Loureiro reforçou a sua fama, que já era considerável, por oferecer electrodomésticos numa campanha eleitoral. Por causa da iniciativa levou um grande baile aqui na blogosfera e fora dela - o que a gente quer é rir-se.


Que se saiba, os electrodomésticos foram pagos por quem se comprometera a pagá-los e os eleitores que receberam os aparelhos deles fizeram bom uso.


Gondomar, a terra de Valentim, tem cerca de 175.000 habitantes; e a Madeira à volta de 290.000.


Pois Jardim fez muito melhor que Valentim: tem comprado o voto dos Madeirenses mas não pagou as ofertas; pediu emprestado aos próprios - 22.000€ a cada um, dívida que deixarão em herança aos filhos.


É muito electrodoméstico.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Os Sólon às pazadas

por José Meireles Graça, em 30.09.11

Penela debate proibição de touradas

"Uma moção apresentada defende que o executivo municipal deve legislar..."

Temos portanto o executivo de Penela a legislar. A Assembleia da Republica legisla, o Governo legisla, as assembleias regionais legislam, os governos regionais legislam, as assembleias municipais idem, os executivos municipais também.


Está mais do que na hora de as assembleias de freguesia e os executivos correspondentes também legislarem.


Já tenho apalavrada com o Presidente da minha Junta de Freguesia uma proposta legislativa de assinalável consequência, com a esperança de ser replicada na maioria das 4260 freguesias do País. Tem apenas um artigo:

O vento da patetice não soprará, entre as 0H00 e as 24H00, na área desta freguesia, em especial na Travessa da Bela Vista.*


* A referência a uma artéria específica é o chamado vested interest. O Senhor Presidente assegurou-me que os deputados fregueses não vão topar a marosca: a maioria só lê A Bola.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Musica da Semana - Ao Isaltino

por João Monge de Gouveia, em 30.09.11

uma escolha da nossa Senadora Ana Rita Bessa, apoiada por unanimidade.

 

Julgo que a dedicatória é óbvia.

 

Deixamo-vos, na sua tradução para Português abrasileirado o "Rock na Prisão"

 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Graduações

por José Meireles Graça, em 29.09.11

 

 

 

 

Balsemão dá "nota 14" a Pedro Passos Coelho,


 

 

 

 

 

 

 

 

 

Mas se aquela coisa da privatização de um canal ficar no tinteiro há sempre a hipótese de summa cum laude.

Autoria e outros dados (tags, etc)

A culpa morre solteira

por José Meireles Graça, em 29.09.11

O economista João Salgueiro considerou hoje que o "problema de Portugal é diferente do da Grécia e da Irlanda", e que na Irlanda o grande problema foram os "bancos", enquanto em Portugal o problema foi a "economia".

 

Sim sim, o problema de Portugal é diferente. E João Salgueiro há muito que diz coisas razoáveis sobre Economia e coisas absurdas sobre os bancos - é farinha deste saco, com benefício para ele e inveja para mim.

 

Porque não me lembro, quando os bancos disputavam clientes na aérea do crédito à habitação e fugiam dos produtores de bens transaccionáveis como o Diabo da cruz, de ouvir a João Salgueiro uma palavra; ou quando a banca nacional financiava - e incentivava, que Deus misericordioso lho perdoe - a delirante orgia socialista de investimento público; ou as ruinosas PPP's; ou ou...

 

Os bancos, como os restantes agentes económicos, reagem a estímulos; e os estímulos têm sido, acentuadamente desde a adesão ao Euro, os errados. Que o espaço da opinião pública esteja ocupado por políticos travestidos de economistas, economistas travestidos de políticos, bancários travestidos de banqueiros, sociólogos transmudados em tudólogos e jornalistas a quem a miséria da sua condição e a deficiência da formação, sobretudo humanística, nem sequer permite que realizem a  extensão da própria ignorância - não devia impedir que um economista sensato e competente, além de político experiente, fizesse ouvir a sua voz contra os interesses imediatistas dos bancos.

 

Os bancos portugueses estão, tal como o País, numa alhada. Mas se neles está, como a Salgueiro já ouvi dizer que estava, o melhor da gestão nacional, porque não tomaram providências? E porque não avisaram?

Autoria e outros dados (tags, etc)

Até choras por andar de lambreta

por José Meireles Graça, em 29.09.11

 

 

Quem tiver mais de 50 anos lembra-se talvez do dito popular "até choras por andar de lambreta".


Quem tinha lambretas era a versão lusa dos play-boys - uma minoria de privilegiados.


A lambreta não morreu - anda por aí sob o nome de uma das marcas que também já existe há muito - a Vespa - e vê-se cada vez mais, numa versão tecnicamente aggiornata.


Mas mesmo assim não se vê na proporção do que seria possível: o que cada Português vai ter que pagar só para tapar o buraco da dívida das empresas públicas dar-lhe-ia uma lambreta.

 

Que ande a pé, meditando sobre as escolhas políticas que tem feito. 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

And the Oscar goes to...

por Ana Rita Bessa, em 29.09.11

Esta semana, alunos e escolas secundárias foram confrontadas com o fim dos prémios pecuniários atribuídos aos melhores alunos no Dia do Diploma. Aparentemente o Ministério decidiu descontinuar essa atribuição, que havia sido instituída pela Ministra Maria de Lurdes Rodrigues.

 

Ao contrário do que a jornalista - e minha amiga - Barbara Wong defende aqui, eu simpatizo com a ideia dos Quadros de Honra e da distinção dos que, efectivamente, se distinguem. Acho que é uma boa tangibilização do conceito de "mérito", embora concorde que não se tenha que reduzir unicamente ao "mérito académico".

 

Portanto, vejo com muitos bons olhos que, em cada região, por via institucional e formal, se anunciem e celebrem publicamente os bons alunos: quer aqueles que tiveram boas notas, quer aqueles que, de acordo com os projectos e valores das escolas, se distinguiram em áreas relevantes.

 

Por outro lado, já não acho crítico que o Ministério lhes conceda um prémio pecuniário, mesmo independemente da fase de crise em que o país se encontra. Se, para esse efeito, as escolas angariarem mecenas comprometidos com o sucesso local achoaté  uma melhor solução.

 

Por outro lado ainda, faz-me sentido que o Ministério, enquanto entidade que tutela as escolas, premeie as mesmas pelos bons resultados obtidos, como defende o Ministro, segundo esta noticia.

 

O que decidamente não concordo é com o alegado fim desta iniciativa a "meio do jogo".

Primeiro, porque não se volta assim com a palavra atrás - e é bom que não nos esqueçamos de alguns princípios básicos de ética e cordialidade - segundo, porque não é esta ideia de volatilidade nos compromissos que gostaria que as instituições educativas passassem aos seus educandos e terceiro, porque justificações como "Pelo contrário, nesta altura de crise, andar a distribuir, a oferecer dinheiro às pessoas me parece bom” (Nuno Crato ao Público) me soam, no mínimo, infelizes.

 

No final de tantas concordâncias de princípio e tanta discordância de execução, "the oscar goes to": Ordem dos Médicos que, num movimento que desejo se repita por essa sociedade afora, "se vai constituir como um dos mecenas da sociedade civil e assumir o pagamento de dez dos cerca de mil prémios individuais de mérito escolar de 500 euros que o Ministério da Educação (ME) decidiu não atribuir" (aqui).

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tratar os boys pelos nomes

por Tiago Pestana de Vasconcelos, em 29.09.11

"Sou católico apostólico romano. Activamente. E tenho respeito e consideração por D. José Policarpo. Mas fiquei estupefacto com a afirmação, surpreendente, injusta e perigosa.

 

Surpreendente, vinda de quem bem sabe sopesar as palavras para exprimir fielmente o seu estruturado pensamento.

 

Injusta, tratando como igual o que é diferente. Na coisa pública, como no trabalho, na empresa, até na Igreja, há bons e maus exemplos. Reconheço que o maior escrutínio exercido sobre os políticos se justifica, pois actuam em nome e com os recursos do povo. Mas, se há quem tenha enriquecido através da política, há também quem tenha empobrecido. Se há quem seja pouco sério, há também quem se dedique com probidade absoluta. Se há quem trafique poderes, há também quem actue virtuosamente com a integralidade do carácter.

 

Perigosa, porque estas generalizações abusivas alimentam o imaginário popular de que "os políticos são todos iguais": corruptos, arrivistas, mandriões ou incompetentes."

 

por BAGÃO FÉLIX

Autoria e outros dados (tags, etc)

Barra Lateral

por João Monge de Gouveia, em 28.09.11

Os blogues começadospor A já estão, os Blogues começados por B também, amanhã tratarei dos blogues por C.

 

Sugestões para senatus.blog@sapo.pt

Autoria e outros dados (tags, etc)

Pág. 1/22



"Aqui importa-se tudo. Leis, ideias, filosofias, teorias, assuntos, estéticas, ciências, estilo, modas, maneiras, pilhérias, tudo vem em caixotes pelo paquete. A civilização custa-nos caríssimo, com os direitos de Alfândega: e é em segunda mão, não foi feita para nós, fica-nos curta nas mangas..."
Eça de Queiroz, in Os Maias




Comentários recentes

  • Swonkie

    Olá :) Enviamos um convite para o teu email. Caso ...

  • silva

    Como é possivel não cair! Se a corrupção que segun...

  • silva

    Como é possivel não cair! Se a corrupção que segun...

  • batidasfotograficas

    Para terem mais tempo para a família! Seria bom qu...

  • Tiago Sunzu

    Obrigado pelo seu comentário construtivo e com tan...




Arquivo

  1. 2016
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2015
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2014
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2013
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2012
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2011
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D






+18314 até 8.8.11 no Blogspot

subscrever feeds