O governo de Hollande tem exactamente 17 homens e 17 mulheres, entre ministro(a)s e secretário(a)s de estado.
Embora a paridade seja uma coisa bonita, isto é simplesmente ridículo. A improbabilidade da conta torna o resultado artificial e, em vez de aplaudirmos o facto de haver tanta mulher, ficamos com náuseas perante esta fantochada politicamente correcta.
Mas como vivemos num mundo politicamente correcto (mais náuseas), vamos jogar o jogo nesse tabuleiro e olhar com mais atenção para este governo.
Vejo uma francesa de origem asiática, três de origem magrebina e dois de origem caribenha. Nem um – repito, nem um – negro ou negra (a França tem mais de um milhão de negros e negras). Hollande é, portanto, um porco racista que discrimina os negros e negras. E tendo em conta que há quase cinco vezes mais franceses ou francesas de origem magrebina do que de origem caribenha e que o(a)s asiático(a)s são uma minoria sem expressão, é fácil concluir que não foi minimamente respeitada a paridade entre as outras etnias.
E quantos homossexuais estão no governo? Olho atentamente para as fotos e, seguindo as directrizes do Arq. Saraiva, só consigo ali detectar, no máximo, uma secretária de estado como potencial de lésbica. Não vislumbro ali nem um gay.
Para além de racista que viola a paridade entre etnias, este governo é homofóbico. O que, convenhamos, não fica bem a um governo de esquerda. Quelle honte.
Muito se tem dito, e com razão, que o consenso alargado em torno do plano de assistência financeira existente em Portugal é um inestimável ativo político, que devemos manter.
Não obstante, os resultados eleitorais na Grécia, e as sondagens que dão a vitória Syriza caso se realizem nova eleições, evidenciam que não é bom que os partidos estruturantes estejam excessivamente colados à austeridade, sob pena de poderem ser todos penalizados eleitoralmente em favor dos extremos.
Nessa perspectiva, ao contrário do que diz a voz corrente, pode ser bom que em Portugal o PS mantenha algum distanciamento face às políticas seguidas pelo Governo português, sem divergir no essencial.
Miguel Cadilhe sempre teve má imprensa. Na aldeia que é a comunicação social portuguesa imagino que o homem terá ofendido alguns bonzos; denunciou em tempos alguns erros graves do consulado cavaquista, ferindo a mitologia do PSD, que encara aquela década como dourada; escreveu um livrinho em que defendia a utilização do ouro do Banco de Portugal para uma gigantesca reforma da Função Pública, incluindo um ambicioso plano de despedimentos; e é do Porto e arrogante.
Só defeitos, portanto. Pois sim: mas imaginemos que as leis processuais e penais não são um cuidadoso campo de equívocos e minas; que o Ministério Público não deixa passar a imagem de um aglomerado de tribos com opiniões e simpatias e antipatias políticas; que o PGR tem efectivamente autoridade e responde perante a opinião pública e a Assembleia da Republica pelas acusações que dão em nada, os processos que se arrastam até à prescrição e a impunidade de que gozam quantos encheram os bolsos ou, no mínimo, deram provas de indesculpável estupidez na gestão da coisa pública.
Então, esta denúncia teria resposta. E é por não a ter, e quase não haver esperanças de que a venha a ter, que o eleitor comum acha que os políticos são uma casta de ladrões, as instituições um coio de patifes e a vida pública um espectáculo degradante.
É deste caldo que saem os salvadores da Pátria, as ditaduras iluminadas e as revoluções. Estamos ao abrigo disso? Aparentemente, sim - como as pontes cujos pilares vão sendo insensivelmente sapados pela corrosão, até um dia.
Se os festejos de uma certa esquerda com a vitória de Hollande têm algo de ridículo, a animosidade de uma certa de direita ao homem tem algo de estúpido
Quanto a mim, não me importava que os franceses elegessem para presidente um panda mórmon ou comunista, desde que o panda defendesse algo que ajudasse Portugal a sair da sua penosa situação.
Num episódio da série Oliver's Twist, Jamie vai para uma ilha italiana cozinhar marisco e dá a provar o resultado aos locais. Estes acham os pratos bons, mas queixam-se de que falta sal.
Jamie Oliver não percebeu nada: em vez de aprender o modo indígena, e cingir-se à tradição, inovou e, é claro, asneirou - asneirar é o que fazem quase sempre os chefs quando inovam. Chef que é chef faz cozinha de autor, senão não é chef, é cozinheiro, e cozinheiros não ganham estrelas Michelin, o grande prémio da patetice nos tachos e frigideiras.
Mas o país das estrelas Michelin, da cozinha de autor, do cinema de autor, das revoluções e das modernidades ocas tem realmente excelente culinária, resultado da terra úbere, variedade climática, Sol e tradição.
Já os filhos da Ilha disso têm apenas a tradição dos empadões intragáveis, e parar à beira da estrada para almoçar numa vilória inglesa só não deixa más recordações a um Português que, de portas afora, viva em permanente estado de adoração perante a superioridade do alheio, a real que é alguma e a imaginária que é muita.
Mas a recente vitória de Seguro nas eleições francesas está em vias de melhorar consideravelmente o passadio inglês, de resto já revolucionado de há muito pela influência das cozinhas italiana e chinesa, além da gaulesa.
É, estes Normandos que atravessam o Canal levam dinheiro, capacidade de criação de riqueza e também apetite. E este apetite talvez ajude, com tempo, a melhorar a qualidade dos menus locais.
Os Franceses, é claro, pagarão um preço pela eleição de Seguro - a vaga de exilados é só um appetizer. Mas sem problemas de maior: que Seguro já foi a correr receber instruções ao Bocuse alemão - a ver se o assado não queima.
Como LR no Blasfémias aponta, as boas notícias que a impressa hoje nos traz tem dois culpados: Victor Gaspar e os “empresários de vão-de-escada”.
Porém, se relativamente a Victor Gaspar não é fácil lançar pedras, relativamente aos chamados “empresários de vão-de-escada”, ainda há quem, num exercício do mais elitista que há, não tenha pejo em mandá-los para a escola, como se fossem grunhos inenarráveis que mal articulam duas palavras.
Que falta de paciência, meu Deus, para esta gente tão educada.
Mas a verdade é que também não emprestaria um cêntimo a estes rapazes.
Não podia concordar mais com Alberto João quando ele diz que "os Madeirenses terão o direito de se interrogar sobre a presença da república na região".
Já aqui o disse e volto a repetir, acho que a Madeira deve pagar de uma só vez a sua divida e deve-lhe ser dada a independência, sendo que a partir desse momento a mesma se deve auto sustentar sem um tostão dado pela "República" como lhe chama o Alberto João.
Gostava de ver quando tempo se aguentariam...
Eu gosto mesmo de ver estes indignados.
O que eles gostam é de manifestações e outras confusões.
O que eu gostava mesmo era de lhes dar uma ilha para se governarem, sempre gostava de ver o que aconteceria... Ah, mas sem subsidios!
Fica a ideia para a TVI...
Assim vão os nossos amigos gregos.
Porém, a verdade é que não se podem adorar dois deuses que é como quem diz: quem tudo quer tudo perde.